Dando continuidade ao assunto da última edição,onde foi abordado a aplicação da tecnologia para o bem comum, hoje convivemos e dependemos totalmente do mundo tecnológico. Se pararmos para observar que a nossa atitude ou “modus vivendi” tem se modificado gradualmente, sem darmos conta de que as coisas simples e manuais do passado estão ficando no esquecimento.Vocês se lembram da última vez que lamberam um sêlo e postaram uma carta manuscrita? Isto é apenas um exemplo! Hoje os e-mails substituíram basicamente os meios de comunicação escritos, sem contar os telefones convencionais, celulares etc. A modernidade tem trazido benefícios ,mas a ironia cria cada vez mais o distanciamento. Você já reparou que é mais fácil participar de um bate papo no chat,em qualquer parte do mundo, do que falar pessoalmente com seu vizinho?.Ou aquele amigo que não tem e-mail,você se lembra dele? O seu computador de última geração já está ultrapassado? Já há estudos sérios nos EUA a respeito do absolutismo dos equipamentos, e as empresas estão questionando: se os mesmos estão atendendo as aplicações, porque mudar? Os prejuízos que advém dessas atualizações são da ordem de 2 bilhões de dólares. E o seu trabalho? A insegurança, a competividade não o torna quase uma máquina de produção? A tecnologia não o empurra cada vez mais ao saber?, sem contar que as horas dedicadas ao trabalho tem aumentado para a maioria das pessoas, refletindo diretamente no convívio familiar. Mesmo que sejamos disciplinados e atenciosos com nossos filhos, o tempo dedicado a eles não é suficiente. Será que estamos formando uma geração, onde o romantismo do relacionamento está dando lugar, a objetividade e ao pragmatismo, porque não dizer plastificar a relação? Será que as crianças estão brincando como há duas décadas? Os videogames e os computadores não estão prematuramente levando as crianças a um nível de stress incontrolável? Estes questionamentos têm o propósito de nos levar a uma reflexão; a tecnologia tem a proposta de produzir uma revolução, definir objetivos e caminhos que possam contribuir para a construção de um mundo melhor.
Publicado no jornal Condominio em foco em 17 nov 1999 por HENRIQUE DA SILVA


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