quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


O alvo preferido do homem mais rico do mundo é o Brasil. Com um patrimônio de US$ 63 bilhões pelo ranking da "Forbes", o mexicano Carlos Slim injetou R$ 9,4 bilhões em 2011 no país, informa reportagem de Sofia Fernandes publicada na edição desta terça-feira da Folha.
A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
As três principais empresas de Slim no Brasil são Claro, Embratel e Net.
Para 2012, o grupo prevê R$ 10 bilhões dedicados sobretudo a essas três operadoras. A cifra deve incluir a construção de um cabo submarino do Brasil para os Estados Unidos para tráfego de dados, segundo o presidente da Claro no Brasil, Carlos Zenteno.
Diogo Shiraiwa/Lézio Júnior/Editoria de Arte/Folhapress

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


BOMBACHA, CUIA E IPAD

UMA ANÁLISE SOBRE OS HÁBITOS E COMPORTAMENTOS DO GAÚCHO REVELA NÃO SÓ UM, MAS VÁRIOS PERFIS DIFERENTES DE CONSUMIDOR – E COLOCA MAIS UM ENIGMA PARA AS MARCAS QUE ALMEJAM ESPAÇO NO RIO GRANDE DO SUL



Comecemos pelo óbvio: o gaúcho é peculiar. Conservador, exigente, entusiasta das tradições locais, avesso ao endividamento – e aí estão apenas alguns dos traços que ajudam a delinear o perfil desse consumidor tão único e enigmático. As diferenças vão além de hábitos e preferências de consumo. Entram também nos campos político e ideológico, talhados no imaginário dos gaúchos por guerras e revoluções históricas, pela forte influência dos imigrantes europeus, pela proximidade com os vizinhos platinos e pela exaltação de heróis que teriam dado a vida pelos ideais de um Rio Grande independente, republicano e utópico.
Tudo isso é conhecido e já foi amplamente discutido e estudado. O que pouca gente sabe – e muitas empresas ignoram – é que, por trás desse estereótipo tão marcante, há grupos de consumidores com características próprias. Grupos com hábitos de compra particulares, que se relacionam com as marcas de formas bem diferentes. E que, olhados em conjunto, tornam relativas quase todas as generalizações acerca de quem é e como se comporta o gaúcho.
Uma pista sobre quais são esses grupos pode ser encontrada em um livro recente, lançado pela DCS com base em um levantamento da Segmento Pesquisas – agência que também é responsável pelo trabalho de campo do Top of Mind. “Postais do Rio Grande do Sul – Um Olhar sobre o Estado com a Razão e a Emoção dos Gaúchos” coloca em evidência algumas características pouco conhecidas dos consumidores locais. Por exemplo: 83% deles sonha em fazer uma “viagem de sonhos”, de preferência para um lugar ensolarado – o Rio de Janeiro é citado por 11% dos entrevistados. A grande maioria (77%) ainda se apega ao churrasco como prato preferido e 53% identificam o cavalo como o animal-símbolo do Estado. Mas isso não significa que eles rejeitem as novidades que vêm de fora. A maior parte dos gaúchos diz ser favorável a pesquisas com células tronco e 30% têm o sertanejo como gênero musical preferido – índice superior ao da música tradicionalista. “O gaúcho é, sim, muito conservador em seus hábitos. Mas já é possível detectar algumas diferenças que são importantes para traçar linhas de comunicação mais eficientes com ele”, detalha Antonio D’Alessandro, sócio-presidente da DCS.
Conhecer a fundo essas diferenças também ajuda no desenvolvimento de estratégias de marketing e vendas. “Todos os anos, somos procurados por empresas que nos solicitam pesquisas específicas sobre isso. Sem esses dados, elas nem se arriscam a pisar em solo gaúcho”, garante Nádia Freire, diretora da Segmento. Algumas companhias, diz ela, adaptam suas campanhas de comunicação às preferências de cada grupo de consumidores ou à região em que eles se encontram. Sabe-se, por exemplo, que os habitantes da serra gaúcha tendem a conservar os traços atribuídos ao imigrante italiano: são normalmente religiosos, dormem e acordam cedo, trabalham muito e não fazem questão de cumprir feriados – em Caxias do Sul, muitas companhias sequer param durante o carnaval. Já no sul, no eixo Pelotas-Rio Grande, o consumidor prefere dormir mais tarde e não abre mão de festas, feriados e atrações culturais. Outra diferença está no perfil dos gastos: os habitantes da serra são poupadores ferrenhos, enquanto os do sul tomam mais dinheiro emprestado e são mais suscetíveis a liquidações e promoções.

Força no interior
Ainda que sejam sutis, as diferenças inter- regionais podem ter grande influência sobre os resultados de algumas empresas. Até porque o Rio Grande do Sul tem uma característica que foge à regra da maioria dos Estados brasileiros: aqui, capital e região metropolitana concentram apenas 20% do potencial de consumo. Conforme um levantamento da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza, especializada em varejo, todos os 80% restantes se encontram no interior, especialmente em polos regionais como Passo Fundo, Erechim, Uruguaiana etc. “O Rio Grande do Sul se comporta tipicamente como uma nação, com acentuadas diferenças internas. Isso é um ônus e um bônus. Por um lado, ficamos presos a algumas crenças, mas por outro temos uma identidade própria”, argumenta Gilberto Della Giustina, diretor de planejamento do GAD Design.
Algumas empresas já estão atentas a essa realidade. É o caso da Lojas Colombo. Todos os anos, entre outubro e novembro, a empresa de Farroupilha realiza uma ampla pesquisa para mapear as tendências de consumo para o ano seguinte. As peculiaridades regionais são levadas em conta não só na hora de desenvolver as estratégias de comunicação para o mercado gaúcho, mas também de definir o mix de produtos de cada loja. Os consumidores da serra gaúcha, por exemplo, tendem a comprar mais produtos de ginástica e fitness – consequência direta do hábito de se exercitar em casa, a salvo do frio. “Além disso, aqui na serra e no interior em geral, as lojas precisam oferecer produtos como o fogão a lenha. As pessoas têm um costume de chegar mais cedo em casa e isso faz a diferença”, compara Thiago Baisch, diretor de vendas e marketing da Colombo. “Já na capital e na região metropolitana o padrão é bem diferente. Não vendemos tanto fogão, mas em compensação saem muito mais splits”, diz ele.

Campeões do crédito
Conforme a pesquisa realizada por DCS e Segmento, os contrastes de cada região do Estado também dizem respeito a fatores mais mundanos – como a forma de comprar roupas, as preferências artísticas e até o uso do computador. Os moradores de Caxias do Sul, por exemplo, identificam-se muito com a palavra “prosperidade” e consideram a poupança um hábito quase sagrado. Essa tendência, aliás, reforça as características observadas pelo Banrisul. Conforme Jone Pfeiff, diretor comercial do banco, as cidades que mais tomam crédito estão longe da serra gaúcha – concentram-se na metade sul e na região central do Estado, especialmente em Santa Maria. “Entre as regiões, a metade sul costumava ser, no passado, a maior tomadora de crédito. Mas, devido ao desenvolvimento da região com a vinda do polo naval, ela está perdendo esse posto”, explica Pfeiff.
Os “gastadores” ficam na região noroeste. Nas cidades de Passo Fundo e Erechim, por exemplo, aparecem os maiores índices de gaúchos que realizaram grandes viagens no ano passado – nada menos que 66% do total. A região também se destaca por abrigar consumidores altamente dispostos a pagar caro por roupas e acessórios da moda. E as diferenças não param aí. Conforme Baisch, da Lojas Colombo, Passo Fundo está entre as cidades que mais consomem lavadoras de roupa. Bem diferente de Porto Alegre, onde a demanda por lavadoras rivaliza com a de secadoras – já que o espaço para o bom e velho varal é mais restrito. Finalmente, o noroeste também ostenta o maior índice de gaúchos que afirmam saber usar o computador (20%) – uma consequência direta do atual ciclo de desenvolvimento da região, que está deixando de ser essencialmente agrícola graças à emergência de grandes indústrias dos setores alimentício e do agronegócio.
Enquanto isso, na metade sul, o atual boom econômico desencadeado pelo polo naval gera um padrão de consumo distinto. Boa parte da população local está começando a se habituar à pujança e, por isso, nem sempre apresenta a mesma sofisticação do pessoal do noroeste. Muitos trabalhadores e operários – vindos inclusive de fora do Rio Grande do Sul – acabaram de chegar à região em busca de oportunidades de emprego. Na prática, é como se Pelotas, Rio Grande, Dom Pedrito e Santana do Livramento, entre outros municípios da região, aglutinassem o que se convencionou chamar de “nova classe C”. Isto é: um mercado grandioso, com alto potencial de crescimento, mas que ainda está em fase de amadurecimento. Traço ainda visível disso é a falta de familiaridade com meios de pagamento mais avançados – como o cartão de crédito. Em algumas cidades do interior, ainda é possível encontrar lojas cujas vendas a prazo são realizadas com o tradicionalíssimo carnê. “Sei de algumas varejistas que tentaram impor apenas a opção do dinheiro de plástico, mas tiveram de voltar atrás”, conta Hermes Ghidini, consultor de marketing especializado em varejo.

Sem estereotipar
É claro que essas e outras características não são definitivas. São tendências ou, no máximo, traços de comportamento mapeados por algumas empresas e agências de pesquisa. Não estão sequer livres de contradições. É errado pensar, por exemplo, que a metade sul seja um reduto exclusivo de consumo popular. Há, sim, consumidores altamente sofisticados por lá. Historicamente, a região tem se posicionado como um verdadeiro dínamo de produções culturais e intelectuais do Estado, além de ostentar o maior percentual (62%) de gaúchos que afirmam gostar de estudar. O mesmo se pode dizer do centro do Rio Grande do Sul, fortemente influenciado por universidades e pela circulação de jovens vindos de diversas partes – inclusive de fora do Brasil. Cerca de 41% dos moradores de Santa Maria alegam apreciar pinturas, por exemplo. Outros 27% gostam de arquitetura. “A densidade de universidades em Santa Maria e arredores estimula essa procura pela intelectualidade”, analisa Antonio D’Alessandro, da DCS. Além da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pelo menos outras cinco instituições de ensino superior atuam na região.
Porto Alegre e região metropolitana compreendem a área mais cosmopolita do Rio Grande do Sul. O consumidor da capital preserva alguns traços do interior, como a tendência ao conservadorismo e o alto grau de exigência em relação à qualidade de produtos e serviços. Mas nem por isso deixa de experimentar novidades. ”Produtos novos sempre ‘pegam’ primeiro nessas regiões. Isotônicos, hidrotônicos e chás, por exemplo, são consumidos com mais rapidez e facilidade na capital e na região metropolitana, antes de deslancharem em outras partes do Estado”, conta Luiz Fernando Mattos, diretor de marketing da Vonpar, empresa que representa a Coca-Cola no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Segundo Mattos, os consumidores do interior se apegam mais a produtos consagrados.
Para alguns profissionais de marketing, incorporar esses diferentes sotaques às estratégias de construção de marca é um passo essencial na busca de empatia com diferentes públicos. “É extremamente relevante planejar tendo em mente as semelhanças e particularidades de cada região, como características demográficas, poder de compra, cultura, uso e penetração de tecnologia”, argumenta Daniel Prestes, planejador estratégico da 180Amsterdam – agência de publicidade com sede na Holanda, cujo portfólio inclui grifes como Adidas e Motorola. Mas, atenção: é preciso saber dosar as adaptações – de tal forma que a identidade da marca não seja arruinada. “A tentativa de aproximação não pode expor a população ao ridículo e ao caricato”, defende João Satt, diretor-presidente do Grupo Competence. Uma campanha publicitária em Uruguaiana, exemplifica ele, não precisa ter sempre a figura de um gaúcho com bombachas. “As marcas, inclusive as regionais, têm de ser as mesmas em todos os mercados.”
Um caso bem-sucedido é o da rede de supermercados Walmart. Embora conte com táticas de venda específicas para cada mercado em que atua ao redor do mundo, a empresa não ousa passar de um certo limite. Eliane Ramos Moraes Santos, gerente de marketing do Walmart para a região sul, garante: ninguém jamais verá peças publicitárias da empresa com interjeições tipicamente gaúchas como “Bah”, “Tri” ou “Tchê”. “Preferimos não utilizar, até para não parecer forçado”, diz ela. Em compensação, a companhia faz questão de reconhecer feriados e festividades importantes para o imaginário do consumidor gaúcho, tais como a Semana Farroupilha. “O que conta é ter à disposição produtos regionais, como a erva-mate, a cuca e outros. Mas são ações nas lojas, e não necessariamente mudanças de linguagem”, explica Eliane. Certo ou errado, o fato é que as duas principais bandeiras do Walmart no Rio Grande do Sul – Nacional e Big – vêm se revezando há anos no topo do ranking das marcas mais lembradas pelos gaúchos na categoria Supermercado do Top of Mind.
Mas há empresas, especialmente as de abrangência regional, que conseguem incorporar melhor os sotaques locais. A AES Sul, por exemplo, adota uma política de comunicação flexível, que varia sutilmente de um mercado para outro. Recentemente, a concessionária de energia lançou uma campanha que retratava hábitos típicos das três regiões em que atua no Rio Grande do Sul – a fronteira, o centro-oeste e a região metropolitana de Porto Alegre. Entre outras peças, a campanha contou com quatro VTs, um para cada área de influência da AES Sul. “A comunicação mais próxima da realidade do consumidor é compreendida e aceita de maneira melhor. Desde o inicio da nossa trajetória, buscamos contemplar estas características”, conta Antônio Carlos de Oliveira, diretor-geral da empresa.
A regionalização não fica só no discurso. Na prática, a AES Sul também conta com padrões de atendimento específicos para cada região do Estado. Entre outubro e março, por exemplo, a fronteira apresenta picos de consumo de energia em função da colheita da soja. Nesse período, a AES Sul disponibiliza dez equipes de força-tarefa, que ficam a postos para prestar assistência técnica em caso de quedas no abastecimento à região. A companhia estimula, ainda, os agricultores a trocar equipamentos antigos – que consomem grandes quantidades de energia – por similares mais modernos e econômicos.
Exemplos como o da AES Sul são importantes para quem quer evitar exageros e deslizes. De nada adianta criar uma expectativa no consumidor e não ser capaz de cumpri-la. Da mesma forma, é inútil apostar em linhas de comunicação específicas para cada região e, no dia a dia, tratar os clientes como se fossem um só. “A propaganda ‘fala para’. Já os exemplos ‘falam com’. É necessário ter um olho na propaganda e outro na presença física nas comunidades”, explica Dado Schneider, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em Porto Alegre. Ele lembra que muitas marcas já tentaram imitar os sotaques gaúchos e nem por isso se tornaram relevantes no Estado. O ideal, diz ele, não é apostar na ausência ou no excesso de gauchismo, e sim saber valorizar aquilo que é importante para a comunidade. “Se a quermesse é o grande evento da cidade pequena do interior, então vamos patrociná-lo – ou pelo menos tentar participar dele”, ilustra Schneider.

Presença é fundamental
O contato direto com a comunidade é tão essencial quanto a publicidade na consolidação de uma marca. É no ponto de venda que o consumidor tem a chance de avaliar se a empresa cumpre o que diz. Daí a importância de os funcionários da linha de frente terem uma postura condizente com aquilo que a companhia promete. No Sicredi, as agências seguem uma cartilha única de procedimentos para determinar o limite de crédito de seus clientes. Essa cartilha, porém, permite que se façam pequenas adaptações – respeitando, assim, o perfil e os hábitos de consumo de cada região. Para assegurar que as unidades da cooperativa tomem sempre a melhor decisão, a cooperativa também conta com uma área de pesquisa e inteligência de mercado que ajuda a desvendar como os gaúchos lidam com o dinheiro. “Dependendo da regional, há uma estratégia totalmente diferente para conceder crédito e atrair novos cooperados. Tudo depende desses aspectos comportamentais”, assegura Ivan Novello, gerente de comunicação da Central Sicredi Sul.
Estratégia semelhante é adotada pela Pompéia. Com 58 lojas em todo o Rio Grande do Sul, a rede varejista adota uma única linguagem em suas ações de comunicação. Entretanto, estimula seus funcionários a atender de acordo com os costumes e até dialetos locais. Em Santa Cruz do Sul, reduto de descendentes da imigração alemã, é comum os clientes serem recebidos com um sonoro “willkommen”. Em São Lourenço do Sul, alguns atendentes são fluentes em pomerano, um dialeto ainda presente entre os descendentes de poloneses e alemães. Os supervisores de cada região também são responsáveis por elencar as datas importantes da comunidade e, muitas vezes, escolhem os veículos de comunicação para divulgar anúncios, spots ou VTs de abrangência regional. “Esse olhar local é muito importante no nosso modo de gerenciar”, garante Carmem Ferrão, superintendente de marketing e vendas das Lojas Pompéia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Meu filho, voce não merece nada

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum


Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O MITO /ALEGORIA DA CAVERNA

ONDE HÁ MUITA LUZ , AS SOMBRAS SÃO MAIS OBSCURAS!! ( GOETHE)
O mito ou “Alegoria” da caverna é uma das passagens mais clássicas da história da Filosofia, sendo parte constituinte do livro VI de “A República” onde Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal.
A narrativa expressa dramaticamente a imagem de prisioneiros que desde o nascimento são acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhem somente para uma parede iluminada por uma fogueira. Essa, ilumina um palco onde estátuas dos seres como homem, planta, animais etc. são manipuladas, como que representando o cotidiano desses seres. No entanto, as sombras das estátuas são projetadas na parede, sendo a única imagem que aqueles prisioneiros conseguem enxergar. Com o correr do tempo, os homens dão nomes a essas sombras (tal como nós damos às coisas) e também à regularidade de aparições destas. Os prisioneiros fazem, inclusive, torneios para se gabarem, se vangloriarem a quem acertar as corretas denominações e regularidades.
Imaginemos agora que um destes prisioneiros é forçado a sair das amarras e vasculhar o interior da caverna. Ele veria que o que permitia a visão era a fogueira e que na verdade, os seres reais eram as estátuas e não as sombras. Perceberia que passou a vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo a verdade, isto é, estando afastado da verdadeira realidade. Mas imaginemos ainda que esse mesmo prisioneiro fosse arrastado para fora da caverna. Ao sair, a luz do sol ofuscaria sua visão imediatamente e só depois de muito habituar-se com a nova realidade, poderia voltar a enxergar as maravilhas dos seres fora da caverna. Não demoraria a perceber que aqueles seres tinham mais qualidades do que as sombras e as estátuas, sendo, portanto, mais reais. Significa dizer que ele poderia contemplar a verdadeira realidade, os seres como são em si mesmos. Não teria dificuldades em perceber que o Sol é a fonte da luz que o faz ver o real, bem como é desta fonte que provém toda existência (os ciclos de nascimento, do tempo, o calor que aquece etc.).
Maravilhado com esse novo mundo e com o conhecimento que então passara a ter da realidade, esse ex-prisioneiro lembrar-se-ia de seus antigos amigos no interior da caverna e da vida que lá levavam. Imediatamente, sentiria pena deles, da escuridão em que estavam envoltos e desceria à caverna para lhes contar o novo mundo que descobriu. No entanto, como os ainda prisioneiros não conseguem vislumbrar senão a realidade que presenciam, vão debochar do seu colega liberto, dizendo-lhe que está louco e que se não parasse com suas maluquices acabariam por matá-lo.
Este modo de contar as coisas tem o seu significado: os prisioneiros somos nós que, segundo nossas tradições diferentes, hábitos diferentes, culturas diferentes, estamos acostumados com as noções sem que delas reflitamos para fazer juízos corretos, mas apenas acreditamos e usamos como nos foi transmitido. A caverna é o mundo ao nosso redor, físico, sensível em que as imagens prevalecem sobre os conceitos, formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas, (pré-conceitos, pré-juízos). Quando começamos a descobrir a verdade, temos dificuldade para entender e apanhar o real (ofuscamento da visão ao sair da caverna) e para isso, precisamos nos esforçar, estudar, aprender, querer saber. O mundo fora da caverna representa o mundo real, que para Platão é o mundo inteligível por possuir Formas ou Ideias que guardam consigo uma identidade indestrutível e imóvel, garantindo o conhecimento dos seres sensíveis. O inteligível é o reino das matemáticas que são o modo como apreendemos o mundo e construímos o saber humano. A descida é a vontade ou a obrigação moral que o homem esclarecido tem de ajudar os seus semelhantes a saírem do mundo da ignorância e do mal para construírem um mundo (Estado) mais justo, com sabedoria. O Sol representa a Ideia suprema de Bem, ente supremo que governa o inteligível, permite ao homem conhecer e de onde deriva toda a realidade.
Portanto, a alegoria da caverna é um modo de contar imageticamente o que conceitualmente os homens teriam dificuldade para entenderem, já que, pela própria narrativa, o sábio nem sempre se faz ouvir pela maioria ignorante.

sábado, 21 de maio de 2011

Quem são e o que querem os jovens Millennials ou Geração Y




Quem são e o que querem os jovens Millennials ou Geração Y



A juventude de hoje tem comportamento bem diferente das gerações anteriores. Nada de rebeldismo regado a muitas drogas e álcool. Nada de sonhos impossíveis e utopias irrealizáveis. Esses jovens são conhecidos como Millennials ou Geração Y e nasceram entre os anos 80 e 2000 (o nome Millennials foi talhado pelos estudiosos Neil Howe e William Strauss, no livro Millennial Rising). Eles são filhos da revolução feminista e da revolução sexual, cresceram numa época de liberdade e de muita informação. Se sua empresa tem produtos voltados para essa faixa etária, veja como essa moçada se comporta, segundo estudos do portal WGSN (só para assinantes):
• É uma geração mais careta: ser nerd passou a ser legal
• É uma geração que tem foco na saúde e na vaidade: menos drogas, menos bebida, mais beleza e sexo responsável
• Usam marcas como uma forma de compor sua identidade; a customização dá a sensação de pertencer a um grupo e se destacar dentro dele
• É uma geração obcecada por tendências de moda e como há grande rapidez na informação, as coisas perdem e ganham relevância muito rapidamente
• Barreiras geográficas, diferenças etárias ou sócioeconômicas perderam importância: a cultura e os interesses comuns os aproxima e os aglutina.
• As ”tribos” se formam por afinidade e identificação cultural, não importa que cada um esteja num canto do planeta.
• Muitos Millennials vivem com seus pais: o conflito entre gerações é menor
• Compartilham suas vidas pessoais na internet e não têm preocupação com o que é privado
• Segundo pesquisas, 61% dos jovens americanos não expressa interesse pelo mundo adulto. Portanto, as marcas voltadas para eles devem celebrar a juventude, pois é isso o que importa para eles
Se você pensa em contratá-los, veja o que o espera:
• Os jovens de hoje são mais estressados, pois sofrem maior pressão da família para ter sucesso
• No trabalho, o dinheiro não é o principal motivador: flexibilidade de horário e a liberdade de usar roupas casuais no trabalho pesam tanto quanto
• São inseguros em relação ao futuro: eles sabem que fazer uma faculdade ou conseguir um emprego não é garantia de estabilidade nem de sucesso
• São descrentes de regras pré-estabelecidas, por isso costumam ser mais empreendedores do que os jovens do passado
• São narcisistas e acham que sabem tudo
• Não ficam idealizando o futuro. Eles vêem o que pode ser feito, de fato, para mudar o mundo e se mobilizam, via internet.
O que te parece? O mundo estará em melhores mãos?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

SÃO PAULO - A sala é hermeticamente fechada, à prova de som e imune a qualquer tipo de interferência magnética. Projetado para captar sinais fisiológicos emitidos por cérebro, pele e olhos, o ambiente é equipado com aparelhos de eletroencefalograma, ressonância magnética e pressão arterial. É uma parafernália tecnológica digna de um hospital, só que está numa das salas da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, onde, há duas semanas, foi inaugurado o Laboratório de Neuromarketing da instituição.

Reconhecida por sua excelência acadêmica e pelos indicadores econômicos que produz, a FGV está entrando numa área do conhecimento em que o Brasil ainda está engatinhando: o neuromarketing, que é o casamento entre o marketing e a neurociência. O objetivo é desvendar a lógica que está por trás da decisão do consumo, o que, por vezes, não é captada pelas ferramentas tradicionais de marketing, como pesquisas quantitativa e qualitativa.

- O neuromarketing não é uma panaceia, mas virou um instrumento de marketing amplamente adotado lá fora por empresas como Coca-Cola, Procter & Gamble, McDonald's. Vamos disponibilizar conhecimento e técnica da neurociência para ajudar gestores públicos e privados a chegarem mais perto dos fatores do subconsciente que influenciam o comportamento do consumidor - explica Carlos Augusto Costa, coordenador do Laboratório de Neuromarketing da FGV Projetos, preferindo não antecipar o nome dos futuros clientes da instituição.

Desejos subconscientes podem ser identificados

Ao captar sinais como atividade cerebral, fluxo sanguíneo em determinadas áreas do cérebro, respostas faciais, frequência cardíaca e condutância da pele, o objetivo é identificar pensamentos, sentimentos e desejos subconscientes do consumidor. E, sobretudo, a resposta para explicar por que marcas fracassam, por que produtos encalham e por que campanhas públicas (como no caso da dengue) têm êxito questionável.

Tanto investimento e parafernália tecnológica têm um motivo: de cada cem produtos lançados, apenas de 10% a 20% têm sucesso. Isso ocorre porque, como consumidores, somos bombardeados diariamente por centenas de mensagens publicitárias, anúncios, comerciais de tevê, outdoors e banners na internet... São apelos visuais e sonoros que chegam até nós em alta velocidade e de todas as direções. Só que parte considerável dessas informações cai no esquecimento.

Como escreveu um dos mais respeitados gurus mundiais de marketing, o inglês Martin Lindstrom - autor do livro "A lógica do consumo, verdades e mentiras sobre por que compramos" - isso acontece porque "pesquisas de mercado e discussões de grupo não cumprem mais a tarefa de descobrir o que os consumidores realmente pensam".

É que nosso cérebro é composto por bilhões de células nervosas e diferentes tipos de ondas cerebrais, que são emitidas conforme o estímulo dado. São as ondas Alfa, Beta, Teta e Gama. São esses estímulos que o exame de eletroencefalograma é capaz de captar. Ao rastrear o cérebro do voluntário é possível identificar com precisão a sensação que uma marca, um produto ou uma campanha suscita no consumidor.

- Como num exame de eletroencefalograma, usamos uma touca no voluntário. A onda Alfa, por exemplo, é acionada sempre que algum estímulo suscita alegria ou tristeza - comenta o publicitário e coordenador de pesquisa do laboratório, Marcos Antunes, que apesar de se vestir como se fosse médico, trabalha há 25 anos com pesquisas de mercado.

Uso de tecnologia médica gera polêmica

A técnica não chega a ser um consenso. Organizações não governamentais, como a ONG americana Commercial Alert, consideram a técnica polêmica, por usar tecnologias médicas não para a cura, mas para vender produtos. Há alguns anos, a entidade chegou a solicitar ao Senado americano a proibição do neuromarketing, mas o pedido foi rejeitado.


terça-feira, 3 de maio de 2011

A partir de hoje, 19 estados passam a cobrar ICMS nas compras pela internet

Em setores como o de ar-condicionado, informática, eletroeletrônicos, linha brancas, as transações via web já respondem por 25% da comercialização.

A partir de hoje, dia 1º de maio, 19 estados, entre os quais Mato Grosso do Sul, passarão a cobrar ICMS dos produtos comprados pela internet. As mercadorias adquiridas em empresas pontocom sediadas nos estados da região sul e sudeste (com exceção do Espírito Santo) serão tributadas em 10%; enquanto as que forem oriundas do norte, nordeste e do Espírito Santo pagarão 5%, índices correspondentes às alíquotas internas do tributo nas transações interestaduais.

A cobrança será antecipada enquanto as empresas não se cadastrarem no Fisco Estadual para obter inscrição como substitutas tributárias, quando então terão até o dia 9 do o mês seguinte à data em que a transação tiver sido concluída para pagar a diferença de imposto. Por exemplo, nas compras efetivadas até o dia 10, o prazo de recolhimento será de no mínimo 29 dias. Procedimentos
Até que as empresas que fazem as vendas on-line e que hoje não são cadastradas como contribuintes junto ao fisco estadual se inscrevam junto à Secretaria de Fazenda, o imposto devido a Mato Grosso do Sul terá de ser recolhido por meio de DAE (Documento de Arrecadação Estadual) ou GNRE (Guia Nacional de Recolhimento de Tributos Estaduais) antes do envio da mercadoria para o estado de destino. Caso este recolhimento não seja feito, o produto ficará retido no primeiro posto fiscal em território sul-mato-grossense e levado para os depósitos da Secretaria de Fazenda.

Neste caso o consumidor só conseguirá sua liberação se assumir o pagamento do diferencial de alíquota do ICMS. “Esta será uma situação transitória porque as próprias empresas pontocom terão interesse de se regularizar até para não perder mercado”, avalia o superintendente de Administração Tributária da Sefaz, Jader Rieffe Julianelli Afonso.

A cobrança do ICMS interno nas compras por meio de internet, telemarketing e showroom foi aprovada na última reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) realizada no Rio de janeiro, sendo formalizada por meio do protocolo 21/2011 com adesão de 19 estados. Segundo o secretário estadual de Fazenda, Mário Sérgio Lorenzetto, a medida está sendo adotada para corrigir o que ele chama de “injustiça tributária” que só beneficia os estados mais desenvolvidos (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais) onde está localizada a maior parte das empresas que atuam no comércio virtual.

“Todo o ICMS gerado neste segmento fica com estes estados, trazendo prejuízo para a economia das regiões menos desenvolvidas”, argumenta o secretário. Só em 2010, Mato Grosso do Sul deixou de arrecadar R$ 38 milhões e com base na projeção de que o e-commerce mantenha o crescimento anual de 50%, a estimativa é de que neste ano a perda de receita chegue a R$ 64,9 milhões.

Divisão de riquezas
O secretário de Fazenda lembra que a tributação interna das compras on-line de outros estados nada mais é que a extensão ao comércio virtual da regra já aplicada nas transações nas compras tradicionais, em que a mercadoria adquirida tem como destino um estabelecimento comercial com instalações físicas que o venderá para o consumidor final. Uma parte do imposto é paga no estado onde o produto foi comprado 7% (se a empresa fornecedora for das regiões Sul e Sudeste, com exceção do Espírito Santo), mais 10% no estado para onde foi vendido. Se a compra for feita em estados do Nordeste, Norte, Centro-Oeste e no Espírito Santo, a alíquota inicial é de 12% e a complementar, de 5%. “Esta regra é um dos princípios da legislação tributária brasileira, o da divisão das riquezas entre os estados mais e menos ricos”, explica Lorenzetto.

Além de estancar a perda de receita, que até 2014 pode chegar a R$ 219 milhões por ano, o equivalente a metade de um mês de arrecadação do ICMS, Lorenzetto sustenta que a cobrança de ICMS interno nas vendas on-line fortalece o comércio local, restabelecendo a competitividade com as empresas pontocom. “Por se beneficiar de uma carga tributária menor, ter uma escala de venda maior, estar isentos de custos fixos como aluguel, salário, encargos trabalhistas, o comércio virtual consegue oferecer produtos até 30% mais baratos em relação ao comércio tradicional”, argumenta o secretário. Em setores como o de ar-condicionado, informática, eletroeletrônicos, linha brancas, as transações via web já respondem por 25% da comercialização. “Em algumas cidades do interior comerciários tem sido demitidos, porque as empresas fecharam as lojas físicas e as substituem por showroom para escapar da cobrança do imposto no estado”.

As principais entidades empresariais e sindicais do setor comercial no Estado apoiam a decisão do Estado de tributar as compras on-line. “Há muito tempo nós vínhamos reivindicando esta medida que estanca uma concorrência desleal que ameaça a sobrevivência do comerciante estabelecido em Mato Grosso do Sul”, afirma o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, Luiz Fernando Buainain. “Temos que adotar medidas de proteção ao empreendedor que acredita no estado, gera emprego e renda aqui”, reforça Edison Araújo, presidente da Federação do Comércio de Mato Grosso do Sul (Fecomércio).

Como fica a tributação nas compras online
Situação 1: se o produto tem como origem o Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Espírito Santo:
12% ficam no estado de origem da mercadoria (onde está a
empresa que fez a venda)
5% ficam para o estado consumidor (o destino para onde vai a
mercadoria comprada)

Situação 2: se o produto comprado tem como origem as regiões Sul e
Sudeste, exceto Espírito Santo:
7% ficam no estado de origem da mercadoria
10% ficam para o estado consumidor

Os estados onde a cobrança será adotada são: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceara, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia, Sergipe e Distrito Federal.

Site: Portal MS
Data: 01/05/2011

sábado, 12 de março de 2011

TDHX, é a sua Solução para Segurança de seus Dados

Por que me preocupar com a segurança de minha rede?

Atualmente uma grande maioria de pessoas não tem a noção da importância e valor de seus Dados e ainda vêem como custo a preservação dos seus dados, quando deveria ser visto como um ótimo investimento. Esta visão míope também se estende aos serviços de manutenção na rede, só é percebido quando ocorre acidentes ou sinistro que compromete suas informações, neste caso pode advir alto prejuízos a empresa, se há recursos para proteger seu sistema de informações, então porque não fazê-lo?

Pergunta a si mesmo e responda. Quanto vale os seus dados? Quanto vale a sua empresa? Será que um serviço de segurança qualificada pode valer mais que o seus dados e a sua empresa? Saber que os seus dados na sua empresa esta vulnerável a ataques, deixa-o tranqüilo? E ainda pelo fato de aparentemente nunca ter sofrido uma invasão ou um ataque virulento, não signifique que a empresa esta segura. Isso é pura fantasia.

Hoje no mundo capitalista e informatizado, o tempo e toda a informação valem dinheiro e muito. Será preciso pagar pra ver acontecer? Se não houver proteção certamente acontecerá. E o custo pode ser altíssimo. Em alguns casos os riscos são muito grande que abala a estrutura de uma empresa.


Mas por que alguém iria querer invadir e/ou atacar o meu sistema?

Para esta pergunta poderemos enumerar dezenas de motivos para que isso possa acontecer. Alguns desses motivos seriam:

• utilizar seu computador em alguma atividade ilícita, para esconder a real identidade e localização do invasor;
• utilizar seu computador para lançar ataques contra outros computadores;
• utilizar seu disco rígido como repositório de dados;
• destruir informações (vandalismo);
• disseminar mensagens alarmantes e falsas;
• ler e enviar e-mails em seu nome;
• propagar vírus de computador;
• furtar números de cartões de crédito e senhas bancárias;
• furtar a senha da conta de seu provedor, para acessar a Internet se fazendo passar por você;
• furtar dados do seu computador, como por exemplo, informações do seu Imposto de Renda.
• engenharia social








O que é engenharia social?

É um termo usado para descrever um ataque onde o invasor procura obter informações sobre o seu futuro alvo através de persuasão.

Vamos citar alguns exemplos onde por sinal esta muito difundido pela mídia hoje em dia mas que ainda pega muita gente.

Os dois primeiros exemplos apresentam casos onde foram utilizadas mensagens de e-mail. O ultimo exemplo apresenta um ataque realizado por telefone.

Exemplo 1: você recebe uma mensagem e-mail, onde o remetente é o gerente ou alguém em nome do departamento de suporte do seu banco. Na mensagem ele diz que o serviço de Internet Banking está apresentando algum problema e que tal problema pode ser corrigido se você executar o aplicativo que está anexado a mensagem. A execução deste aplicativo apresenta uma tela análoga àquela que você utiliza para ter acesso à conta bancária, aguardando que você digite sua senha. Na verdade, este aplicativo está preparado para furtar sua senha de acesso a conta bancária e enviá-la para o atacante.

Exemplo 2: você recebe uma mensagem de e-mail, dizendo que seu computador está infectado por um vírus. A mensagem sugere que você instale uma ferramenta disponível em um site da
Internet, para eliminar o vírus de seu computador. A real função desta ferramenta não é eliminar um vírus, mas sim permitir que alguém tenha acesso ao seu computador e a todos os dados nele armazenados.

Exemplo 3: algum desconhecido liga para a sua casa e diz ser do suporte técnico do seu provedor. Nesta ligação ele diz que sua conexão com a Internet está apresentando algum problema e, então, pede sua senha para corrigi-lo. Caso você entregue sua senha, este suposto técnico poderia realizar uma infinidade de atividades maliciosas, utilizando a sua conta de acesso a Internet e, portanto, relacionando tais atividades ao seu nome.

Estes casos mostram ataques típicos de engenharia social, pois os discursos apresentados nos exemplos procuram induzir o usuário a realizar alguma tarefa e o sucesso do ataque depende única e exclusivamente da decisão do usuário em fornecer informações sensíveis ou executar programas.



Mas o que é um sistema seguro?

Todo sistema computacional dita como seguro deverá atender a três requisitos básicos:

Confiabilidade: Toda a informação deverá estar disponível apenas para aqueles devidamente autorizados.
Integridade: Toda a informação armazenada não será destruída, corrompida ou modificada. E o sistema deve ter um desempenho correto
Disponibilidade: Todos os serviços e recursos deverão ser totalmente disponíveis sempre quando forem requisitados.

Para que isso fique mais claro, darei alguns exemplos de invasões para cara requisito:

A confiabilidade de um sistema perderá a sua razão quando esta sofrer um acesso não autorizado onde isso poderá acarretar diversas situações:
a) Leitura de todas as informações contidas na sua declaração de imposto de renda. Isso levará ao invasor ter total acesso as suas informações de renda, investimento, bens, poupança. A parti daí poderá ter uma noção de todo o faturamento da empresa. Tornando-se um alvo em potencial.

b) Poderá ter acesso aos seus projetos. O invasor depois poderá vender estas informações para a sua concorrência, pois assim ele saberá a os seus investimentos para o projeto, quanto irá cobrar por eles e etc. E com isso o concorrente poderá se antecipar tornando-se uma concorrência desleal.

A integridade de um sistema perderá a sua razão quando esta sofrer um acesso não autorizado e o invasor fizer alterações indevidas em seus dados e isso poderá acarretar diversas situações:
a) Após o sistema ter sofrido uma invasão, ele poderá fazer tudo o que ele quiser. Desde modificar, apagar e roubar todos os seus dados e isso incluem seus projetos, informações sobre o seu importo de renda, cadastros de clientes, pagamentos a receber e a pagar, simplesmente tudo. Tudo que tiver na sua rede o invasor terá acesso.

b) Mas simplesmente ele poderá provocar um colapso na rede e em todos os seu sistemas só para que a empresa perca tempo e dinheiro.

A disponibilidade de um sistema perderá a sua razão quando esta sofrer uma grande sobrecarga ou um ataque de negação de serviço (DDoS).
a) Isso poderá ocasionar perda de desempenho e podendo ficar impossibilitado de enviar qualquer informação para fora e também de receber qualquer informação (estas informações seriam e-mail, envio de declaração de imposto de renda, pagamentos on-line, etc.).

Mas além destes requisitos básicos há algo muito importante a ser considerado. É a política de segurança onde toda empresa ou instituição deverá seguir a risca. Mas o que é política de segurança?


O que é política de segurança?

Um sistema seguro não só se aplica a ela mesma. Não adianta nada só implementar e instalar toda uma infra-estrutura e sistemas. É necessária uma política de segurança atribui a direitos e responsabilidades às pessoas que lidam com os recursos computacionais de uma instituição e com as informações neles armazenados. Ela também define as atribuições de cada um em relação à segurança dos recursos com os quais trabalham.
Uma política de segurança também deve prever o que pode ser feito na rede da instituição e o que será considerado inaceitável. Tudo o que descumprir a política de segurança pode ser considerado um incidente de segurança.
Na política de segurança também são definidas as penalidades às quais estão sujeitos aqueles que não cumprirem a política.

O que é um incidente de segurança?

Um incidente de segurança pode ser definido como qualquer evento adverso, confirmado ou sob suspeita, relacionado à segurança de sistemas de computação ou de redes de computadores.
São exemplos de incidentes de segurança:

• tentativas de ganhar acesso não autorizado a sistemas ou dados;
• ataques de negação de serviço;
• uso ou acesso não autorizado a um sistema;
• modificações em um sistema, sem o conhecimento, instruções ou consentimento prévio do dono do sistema;
• desrespeito à política de segurança ou à política de uso aceitável de uma empresa ou provedor de acesso.

Alguns dados importantes:

Os gráficos das figs. 1 e 2 são notificações voluntárias e refletem os incidentes ocorridos em redes que espontaneamente os notificaram ao CERT.Br (Centro de Estudo, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança do Brasil) e os gráficos das figs. 3 ao 5 foram formulados a partir de pesquisas feitas por empresas de diversos setores no EUA pelo CSI (Computer Security Institute)

Os gráficos (Figs. 1 e 2) demonstram como os incidentes e spams vem aumentando.


Fig. 1 - Gráfico fornecido pelo CERT.Br



Fig. 2 - Gráfico fornecido pelo CERT.br



As perdas decorrentes de fraudes e o mau uso ou falhas nos sistemas de segurança das empresas, vem aumentando. (Fig.3)
Em decorrência disso há um aumento das necessidades de uma implementação de soluções de segurança para minimizar riscos de perdas e aumentar a garantia de continuidade dos negócios das empresas.
O próximo gráfico (Fig. 4) identifica os tipos de tecnologias de segurança mais utilizadas pelas organizações.



Fig. 3 - Gráfico fornecido pelo CSI - Computer Security Institute



Fig 4 - Gráfico fornecido pelo CSI - Computer Security Institute

Neste gráfico os participantes do exame foram pedidos também para avaliar a importância da consciência da segurança que treina a suas organizações em cada uma de diversas áreas.





Mas como posso impedir que isso tudo possa acontecer?

A TDHX possuí um leque de soluções para diversas situações. Onde existe um profundo planejamento e implementação com profissionais altamente qualificados. Proporcionando assim soluções completas, objetivas e definitivas para a segurança da informação, abrangendo um conjunto variado de ambientes e plataformas.

Seguem algumas de nossas soluções:
- Monitoramento e Suporte de Segurança de Sites
- Suporte e Gerenciamento Remoto de Segurança
- Planejamento Estratégico de Segurança da Informação
- Acesso Remoto Seguro
- Implantação de VPN
- e-Mail Seguro
- Integração de Soluções de Segurança
- Solução de Antivírus
- Web Site Seguro
- Migração e Implantação de Windows 2003 Server

Para maiores informações e detalhes, consulte-nos.