terça-feira, 14 de maio de 2013


A falta de tempo é um problema crônico e motivo de muitas queixas no mundo corportativo. 

Profissionais de todos os segmentos e de escalões, de alto a baixo, lamentam não ter mais tempo para realizar todas as tarefas do dia, inclusive as pessoais.

Segundo o consultor empresarial Maurício Seriacopi, a síndrome da falta de tempo cada vez mais se faz percebida pelos profissionais em função da exigência cada vez maior por metas e resultados e também pela velocidade da informação. 

“A tendência é que a pressão por desempenho e o bombardeio de informações cresça sempre mais. Portanto, não adianta reclamar da falta de tempo. O importante é saber como administrá-lo. Enquanto a maioria vive correndo atrás de tempo, os profissionais bem-sucedidos correm a favor e aprenderam como controlá-lo”, explica Seriacopi.

Na opinião do especialista, o uso inadequado das ferramentas de comunicação, como, por exemplo, o email, força o profissional a realizar diversas tarefas simultaneamente, aumentando assim o seu desgaste e a probabilidade de erros e, consequentemente, retrabalhos. “Quanto mais desorganizada, mais a pessoa tende a desperdiçar o tempo. E em tempos onde ele anda escasso, qualquer desperdício faz muita diferença”, lembra o consultor.

Para quem deseja fugir dessa ciranda, há algumas atitudes práticas que podem ajudar a administrar melhor o tempo, segundo Maurício Seriacopi. Confira as dicas:

10 dicas para seu tempo render

01. Altere a configuração do seu programa de email para que as mensagens sejam baixadas em maior tempo. Por exemplo, a cada 30 minutos. Essa medida evita que, cada vez que você receba uma mensagem, pare o que está fazendo para ler o e-mail.

02. Contenha-se a não abrir programas de comunicação ou sites que possam interromper suas atividades ou gerar dispersão.

03. Utilize o tempo de espera em uma recepção para ler um bom livro para seu lazer ou uma literatura específica que contribua com seu desenvolvimento profissional.

04. Mantenha sempre próximo e com fácil acesso, um bloco e caneta, ou equipamento com esse recurso, para anotações de insights, lembretes de atividades e compromissos.

04. Durante deslocamentos, seja dirigindo ou em transporte coletivo, faça uso de recursos auditivos para aprimorar seu idioma ou ouvir um audiobook sobre um assunto que tenha interessa.

06. Se você tem uma certa compulsão em ficar navegando na internet, especialmente nas redes sociais além do tempo, desconecte a fonte de energia do seu notebook e assim, quando terminar a carga da bateria, automaticamente você irá parar.

07. É necessário, principalmente no mundo corporativo, estar cercado de pessoas competentes e comprometidas. Ter bons pares ou boa equipe de trabalho, permite compartilhar e delegar mais as tarefas e propicia a possibilidade de fazer outras coisas, inclusive voltadas ao cuidado com sua saúde ou aprimoramento profissional.

08. Nenhuma ferramenta te ajudará se você não definir onde quer chegar. O planejamento é a arma mais importante para quem quer se organizar. Portanto, prepare-se!

09. Tentar abraçar o mundo pode ser tentador, mas para alcançar resultados satisfatórios sem se matar de trabalhar, é preciso escolher com inteligência e racionalidade. Tenha foco e faça uma coisa de cada vez.

10. Resolva os problemas até o fim. Jamais esqueça que, direta ou indiratemante, pessoas dependem de você. Se referência e mostre-se organizado e com disposição. Disciplina é fundamental

 


As quatros ondas tecnológicas

A combinação de mobilidade, Big Data, plataformas sociais e cloud computing incentivam mudanças radicais nas práticas e processos de negócio, inclusive submergindo negocios estabelecidos há décadas. A tempestade perfeita

 

Cezar Taurion17 de abril de 2013

 

Estamos vivenciando um processo de transformação no ambiente de negócios e na sociedade como um todo, impulsionado pela convergência de quatro ondas tecnológicas. Essa disrupção é um fenômeno que ocorre a cada 10 ou 15 anos e provoca mudanças significativas no uso da computação. A convergência da computação em nuvem, mobilidade, plataformas sociais e Big Data está deslocando o eixo do poder das empresas para as pessoas, sejam estas clientes ou funcionários. Na prática, a sociedade e as empresas estão cada vez mais digitais e visualizamos em breve um cenário onde não existirá mais budget especifico para TI, uma vez que a tecnologia estará em todas as atividades da empresa. O budget da computação estará espalhado por toda a empresa.

Cada uma dessas quatro ondas por si causa mudanças, mas agrupadas criam o que o Forrester Research chama de “Perfect Storm”. Quem viu o filme “Mar em Fúria” lembra da onda gigantesca causada pelo que os meteorologistas apelidam de “a tempestade perfeita” e o que ela pode provocar. A combinação de mobilidade, Big Data, plataformas sociais e cloud computing incentivam mudanças radicais nas práticas e processos de negócio, inclusive submergindo negocios estabelecidos há décadas. Cria novos hábitos, novas experiências e novas expectativas. Um exemplo? Que tal pensarmos no mobile payments?

Entretanto, este cenário de mudanças embute desafios imensos para a área e os profissionais de TI. O proprio processo de consumerização de TI, com os usuáros trazendo as novidades tecnológicas de seu dia a dia para dentro das empresas, está forçando a criação de novos modelos de gestão de tecnologia, como o BYOD (Bring Your Own Device) ou BYOC (Bring Your Own Cloud), impensáveis há uns meros três a cinco anos atrás. E este processo não deve parar por aí. Em breve não apenas estarão trazendo estas tecnologias em seus bolsos (como smartphones), mas as estarão vestindo, como o Google Glass!

Na sociedade digital TI é o diferenciador competitivo e, portanto, seu papel não pode ficar limitado a automatizar operações, subordinado ao CFO da empresa. 

O CIO deve ser reengenheirado. Alguns começam a batizar seu cargo como CDO (Chief Data Offcer) e os profissionais de IT (Information Technology) passam não ser mais de IT mas sim de BT (Business Technology) e chamados de business technologists. Surgem também os data scientists e diversas outras funções que simplesmente não existiam há poucos anos.

Mudanças nem sempre são apreciadas, principalmente quando ocorrem com muita rapidez. Muitos profisisonais de TI passaram pelaa disrupção anterior, quando saimos do modelo centralizado para o cliente-servidor. O impacto foi muito grande. Novas empresas de TI surgiram enquanto outras simplesmente desapareceram. Mudamos os skills, as tecnologias e as práticas de TI e a tecnologia se espalhou pela empresa. A chegada da Internet acelerou o processo de transformação e novos negocios baseados em comercio eletrônico surgiram, desbancando ou simplesmnte eliminando negocios plenamente estabelecidos.

Estamos diante de outra disrupção. A área de TI não pode ficar em “wait” aguardando que os executivos de negócio decidam o que será feito. TI, ou melhor, BT, deverá ser o impulsionador destas mudanças. O fato de essas mudanças estarem acontecendo de forma tão rapida e muitas áreas de TI não acompanharem esta velocidade, faz com que surjam distorções como os executivos e os usuários lendo e usando inovações tecnológicas nos jornais e sites de negócios, e associarem TI ao legado e não à estas inovações. Se os CIO não agirem rapido, TI será associado ao passado e não ao futuro.

Portanto os CIOs devem deixar de ser “babás” de ERP e começarem as olhar as novas tecnologias com a visão de plataformas de transformação e não como ameaças ao status quo. Em vez de olhar cloud apenas pela ótica de se será seguro ou não, porque não olhar cloud como meio de mudar o papel de TI? Se a empresa não tiver mais limite de capacidade computacional não poderá fazer coisas inovadoras que não faz hoje? Assim, o CIO deverá liderar o processo de mudança de mindset, implementando continuamente inovações tecnológicas ajudando a criar novos processos, novos produtos e mesmo novos negócios.

O que isso significa? Que o CIO deverá estar no nivel decisório das empresas, conduzindo conversações estratégicas continuamente. O CIO não pode ficar apenas na dimensão da tecnologia, mas envolvido com o negócio em sua plenitude. Aliás, conversas sobre aplicações estratégicas de novas tecnologias não podem mais serem feitas a cada 3 ou 4 anos, mas a cada 3 ou 4 semanas! Claro que estratégias não serão mudadas a cada 3 ou 4 semanas, mas correções de rumo poderão ser tomadas a partir destas discussões entre os altos executivos de como uma nova tecnologia poderá afetar o negócio. Os profissionais de TI devem ser cada vez mais business technologists e menos técnicos operacionais.

Enfim, na minha opinião, nós profissionais de TI vivemos e devemos aproveitar uma oportunidade que só acontece de dez em dez anos: vivenciar uma disrupção tecnológica que está afetando todos os setores de negócios. 

 

segunda-feira, 25 de março de 2013

BRAND INSIGHTS



 

Imagine que há um seleto grupo de empresas no mundo que são amadas – veja bem, literalmente amadas, e não somente admiradas – por todos os públicos com os quais elas se relacionam: clientes, colaboradores, fornecedores e a comunidade mais ampla.

Pois bem, os autores do recente, mas já clássico livro, “Firms of Endearment”,  pesquisaram centenas de companhias e encontraram 28 que atendem a esse critério. Essas empresas pagam muito bem seus empregados, entregam valor para seus clientes, estão rodeadas por uma rede de prósperos fornecedores e, atenção trazem um fantástico retorno para os acionistas: 1025% nos últimos 10 anos, versus apenas 122% para as empresas listas no S&P 500 (índice que agrega as 500 ações mais relevantes para o mercado norte-americano) e 316% para as companhias citadas na obra “Good to Great” (bestseller lançado em 2001).


Não seria fantástico descobrir que essas 28 corporações têm algo em comum, um segredo passível de ser aplicado em nossas próprias organizações?

Os autores da pesquisa não fazem suspense. Pois a resposta para esta valiosíssima pergunta já se encontra no subtítulo do livro, que, em uma tradução livre, diz: “como as melhores empresas do mundo lucram por meio da paixão e de um propósito”.

PROPÓSITO. Este é o conceito-chave que está provocando uma verdadeira revolução no modo como empresas e marcas são geridas.

O que exatamente é propósito?

Em um nível pessoal, propósito é o que dá sentido para nossas vidas e nos move adiante. Propósito é aquilo que nos faz acordar mais motivados para ir trabalhar: não apenas porque estamos sendo bem pagos, mas porque sinceramente sentimos que fazemos a diferença no mundo. Como disse um amigo meu: “Propósito acaba com crise do Fantástico”. E ele me explicou. O domingo à noite, durante o Fantástico da TV Globo, ele ficava sofrendo por antecipação sobre o retorno à empresa no dia seguinte e sobre a longa semana pela frente. Quando, porém, em outra organização ele entendeu que havia um propósito que o motivava e que dinamizava a organização, o Fantástico passou a ter outro sentido em sua vida.

Propósito é o significado maior que organiza todos os outros relacionados a uma marca corporativa. Propósito, em resumo, é a declaração de como a empresa pretende contribuir para a humanidade.

O propósito nasce da alma da organização: a matéria-prima simbólica responsável pela sua fundação, o sonho original que inspira a sua existência.

Empresas que articulam elementos de sua alma na construção de um propósito relevante e distinto atingem o que nós, do Grupo Troiano de Branding, chamamos de soulful excellence. Este conceito se soma ao de operational excellence, termo mais frequentemente discutido no dia-a-dia empresarial, para caracterizar as organizações realmente de sucesso.

Veja bem, buscar a excelência operacional é essencial. Ela nasce de uma clara visão estratégica, se concretiza em uma apurada execução tática e envolve importantes conceitos como qualidade, eficiência, produtividade e vantagem competitiva.

Mas excelência operacional pode ser copiada. E de fato ela é, cada vez mais rapidamente. Eis a fundamental importância da soulful excellence: ela é imune a esforços de benchmark, pois emerge das características únicas da alma de uma organização, dos sonhos de seus fundadores, aquilo que a torna autêntica e indispensável para o mundo.

O resultado é que empresas apenas com excelência operacional são pouco mais do que “fortalezas militares”: seus funcionários são “bons soldados”, metas são atingidas, a competição é combatida… mas a corporação não explora seu potencial para verdadeiramente impactar o mundo e ser amada por isso.

Empresas apenas com soulful excellence, por sua vez, são na prática pouco mais do que um “castelo nas nuvens”. Muitos sonhos e uma proposta capaz de nos entusiasmar. Mas uma presença etérea, pois a ausência de lucros financeiros mina seu real impacto e impossibilita sua continuada relevância na sociedade.

Infelizmente, ainda encontramos muitas empresas que não entregam nenhuma dessas duas excelências – operacional e de alma. A administração desses negócios, de certa forma, se parece com aquela adotada pelo modelo colonial das “plantations”, em que o objetivo principal, senão único, era a exploração de recursos e a moldura mental dominante era a “reativa”, de “aproveitar oportunidades” no curto prazo.

É natural que corporações com excelência operacional e soulful excellence se destaquem neste cenário. Uma metáfora que caracteriza este tipo de organização é a de “Camelot”: um encontro feliz, memorável e único de “efetividade” e “propósito”, capaz de galvanizar pessoas em torno de um objetivo maior.


Grande parte do raciocínio descrito até agora neste artigo foi criado pela consultoria de origem norte-americana BrightHouse, da qual o Grupo Troiano de Branding é sócio e representante para o Brasil e América Latina.

E a boa notícia é que em mais de 10 anos prestando serviços para uma centena das maiores empresas do mundo, a BrightHouse desenvolveu e aprimorou um método eficaz para traduzir o propósito e transformá-lo em resultados. O nome desse processo: “a escavação da Master Idea”.

A Master Idea não é um slogan, mas captura em apenas uma frase o propósito da organização, gerando assim um potente “farol” para guiar todos que se relacionam com a marca.

Dois exemplos ilustram este ponto:

- Lenox, marca da gigante internacional Newell Rubbermaid, endossa produtos como serras e outras “ferramentas que cortam”. Mas este é só o aspecto mais tangível em torno da marca. Seu propósito, revelado pela BrightHouse, é muito mais envolvente e nasce das origens da empresa: “vender o prazer em vencer qualquer obstáculo, trazer a inspiração que constrói prédios, cidades e todos os sonhos que a engenhosidade humana é capaz de conceber.” De forma mais suscinta, no inglês, este conceito é destilado na Master Idea: “Lenox, passion cuts through”.

- Graco era uma empresa de U$ 450 milhões antes da chegada da BrightHouse. Uma empresa que todos descreveriam simplesmente como produtora de artigos infantis, como carrinhos de bebê. O propósito escavado pela BrightHouse tranformou completamente este cenário, ajudando a catapultar a organização para um faturamento anual de U$ 1.3 bilhões. Este propósito surgiu da identificação dos sonhos que motivaram os primeiros funcionários da Graco: cuidar dos pais – que se esforçam por equilibrar múltiplas tarefas e papéis – e não apenas de suas crianças. A Master Idea da marca: “We cradle those, who cradle them.”

É fundamental entender que propósito não é um novo termo para práticas gerenciais já estabelecidas. Vale até abordar rapidamente três confusões comuns em discussões sobre esse tema.

A primeira acontece quando o conceito de propósito erroneamente é tratado como sinônimo aos de missão ou visão. Um erro, pois a missão conta “o que” e “como” a empresa faz; a visão revela “aonde ela quer chegar”; mas é o propósito que revela “porque” ela existe. Vale dizer também que missão e visão infelizmente se transformaram em reservatórios do lugar comum. Pode reparar, há algumas dezenas de placas de mármore na recepção de diferentes empresas que ostentam as mesmas palavras, como qualidade, liderança e cliente. Um exemplo real: “nós buscamos a liderança, provendo um serviço da mais alta qualidade, em prol da satisfação de nossos clientes”. O que uma declaração como essa diz sobre a empresa, que a torna realmente única e indispensável? Será que se na calada da noite mudássemos as placas de algumas empresas, umas pelas outras, seus colaboradores e visitantes perceberiam?

Pois é essa justamente a contribuição do propósito, responder de forma absolutamente clara e distinta à pergunta: “se a sua organização desaparecesse hoje, o que o mundo perderia?”.

O segundo mal-entendido surge quando profissionais de comunicação mais afoitos concluem que a Mater Idea – tradução do propósito – equivale ao posicionamento da marca. Tremendo engano. Entre outras fundamentais diferenças, destacadas no quadro abaixo, o posicionamento é construído a partir de um cenário externo, em função da análise de meus concorrentes (daí a origem do termo posicionamento, que denota “minha posição” em relação a alguém), enquanto que a Master Idea, como já dissemos, é algo que surge internamente, a partir da alma da empresa.


Volto a enfatizar: a Master Idea não é criada de fora para dentro; ela é escavada, revelada, identificada a partir de um criterioso e profundo processo de análise que leva em conta as origens da empresa, seus valores e artefatos culturais.

Esse processo, cuidadosamente aprimorado pela BrightHouse, já vem sendo aplicado com sucesso pelo Grupo Troiano de Branding junto a marcas como Extra (Grupo Pão de Açúcar) e TV Globo.

São empresas que decidiram abolir a dicotomia: “fazer o bem” versus “obter bons resultados”. Elas desejam ir muito bem financeiramente, fazendo o bem – em outras palavras, definindo um propósito claro sobre como elas irão melhorar o mundo.

Por falar nisso, a terceira confusão sobre o conceito de propósito pode ser resumida na frase: “ah, vocês estão falando de coisas como usar embalagens recicláveis ou apoiar causas sociais…”. Nada disso. Ainda que louvável, esse tipo de prática surge como um “adendo”, como uma das ações que compõem as atividades de marketing da empresa. É sempre um esforço – nem sempre ancorado na realidade – de retratar a empresa como uma organização que também se preocupa com a sociedade. Bom, propósito não é um adendo. É algo entranhado em tudo, tudo o que a empresa faz e diz. Propósito não é uma iniciativa isolada, momentânea ou oportunista. Propósito não é “me too”, algo como “nós também protegemos o meio-ambiente”. Propósito é sim uma maneira única que a empresa escolhe para organizar sua contribuição para o mundo. Propósito é algo que todos os colaboradores da empresa respiram no seu dia-a-dia. Voltando aos exemplos de Lenox e Graco: “trazemos para o mundo a paixão por vencer obstáculos” e “cuidamos dos pais, para que eles possam cuidar melhor dos seus filhos”.

E a sua empresa? Ela tem um propósito?

Para ajudá-lo nesta reflexão, encerramos este artigo com um check-list básico:

- Você conhece claramente quais os sentimentos e valores que motivaram o início da sua organização?
- Você sabe qual o propósito da sua empresa? 10 executivos da organização responderiam a essa pergunta de forma consistente?
- A sua empresa traz para o mundo algo mais significativo do que produtos e serviços?
- A sua empresa aufere lucros de um modo consistente com seu propósito?
- O propósito da sua empresa a distingue das demais, permitindo que ela obtenha maiores lucros?

Boa sorte !


 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012


O incrível poder de nossos modelos mentais

Quando era pequeno e tinha um seis anos estava voltando para casa à noite sozinho da casa do administrador da fazenda. De repende eu ouvi um barulho estranho como um roçar de vento seguido de um estrondo – bum! Saí correndo assim como o diabo foge da cruz. Assim que percebi que era uma folha gigantesca de uma palmeira imperial que havia caído, deu um suspiro de alívio e continuei meu trajeto para casa feliz. A realidade da situação em nada mudou, mas no instante em que percebi que era uma folha que havia caído e não um “tiro” ou coisa semelhante, o que passava na minha mente havia completamente se transformado. Como uma pequena mudança de contexto pode mudar tanto a forma de enxergarmos as coisas?

            Gostaria de pontuar algumas coisas que ainda estão conosco em virtude da nossa forma de pensar: “Por do sol” – nós sabemos que é a terra que gira em torno do sol e não o sol que nasce e se põe no ocidente. Até quando vamos usar esse termo impróprio? Quer ver outro contra senso? Em 1870, Shole & Co., o principal fabricante de máquina de escrever recebia muitas reclamações que as letras das máquinas ficavam encavaladas quando a secretária batia rápido demais. Solução? Decidiram criar uma configuração nada prática para retardar o processo de digitação dos datilógrafos. Já se passaram 142 anos e nossos teclados de computador continuam ainda com essa configuração. O mais curioso é que em 1936, August Dvorak patenteou um teclado substancialmente melhor, e continuamos a usar a configuração antiga numa das indústrias que mais evolui – a da computação!

            O mesmo olhar produz uma percepção bem diferente em cada pessoa. E o que faz a diferença? São nossos modelos mentais. A forma como vemos é afetada pelo que sabemos e pelo que acreditamos. Nós só enxergamos aquilo que olhamos e prestamos atenção. Weltanschauung (nossa maneira de olhar o mundo) é uma questão de escolha. A habilidade de ver o mundo de forma diferente consegue criar oportunidades significativas uma vez que seus modelos mentais condicionam sua reação em cada área de sua vida. Em geral, há uma tendência de tomar os limites de nosso próprio campo de visão como os limites do mundo. E sabe por que isso acontece? É porque a capacidade para discernir é bem diferente da capacidade de ver.

            Para quem quiser começar a fazer uma mudança, sugiro que passe a entender o ponto de vista (modelos mentais) dos clientes, do chefe, dos colegas de trabalho a fim de começar a corresponder em vez de simplesmente reagir.

            Moral da história: A mudança no mundo começa por mudar nossos próprios pensamentos e visões. E para fazer essa mudança interior é preciso aprender, desaprender e reaprender.
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Adão Roberto fez MBA nos EUA e é Máster Trainer em Empreendedorismo pela ONU.

Meta De Carreira: Você É Capaz De Percorrer Todas As Etapas Deste Processo? Do Operacional Ao Cargo Estratégico
Tenho conversado com muitos coachees que têm suas carreiras, altamente direcionadas para a área técnica e operacional. Os seus currículos são bem definidos, constando de certificações na área de atuação e MBAs voltados para os segmentos e departamentos os quais trabalham. Nada mal, se eles não ambicionassem cargos estratégicos a curto prazo! Com um currículo focado no desenvolvimento de competências técnicas, estes sujeitos têm limitado as suas atuações em territórios exclusivamente operacionais, com bons resultados que são reconhecidos pelas empresas em que trabalham. No entanto, seguem confinados nestes territórios e, por vezes preteridos em processos de progressão para cargos de liderança estratégica. É bom definir que, nos depoimentos coletados, estes coachees atuam em empresas com pouca transparência, no que tange aos mecanismos de progressão de carreira. Esta lacuna de evidências das habilidades, competências e atitudes que o líder deve ter ao atuar na respectiva empresa, fragiliza o processo de escolha e definição do profissional que ocupará o cargo de liderança. Sendo assim, estamos lidando em uma seara, onde tudo pode acontecer. Em culturas organizacionais pouco demarcadas em processos de progressão de cargos e salários, o que fica de aprendizado é o seguinte: É preciso que o próprio profissional faça o mapeamento correto dos perfis que atua na empresa, desde o perfil do profissional técnico e operacional, até dos líderes de equipe. Este mapeamento ajudará a conhecer as reais possibilidades, que o mesmo deverá possuir, ou desenvolver, para alcançar o cargo de liderança o qual almeja.
Vejamos o exemplo:
O Profissional: Joaquim é um profissional, que possui três certificações reconhecidas na área que atua. Ele está cursando o segundo MBA voltado para segmento que trabalha, mas está querendo mudar de cargo, buscando um cargo mais estratégico capaz de motivá-lo a continuar na empresa. Joaquim quer chegar neste cargo em até dois anos e, para isto, já está analisando o cenário da empresa atualmente.
A Empresa: A empresa que Joaquim trabalha não tem definido como é a escolha de profissionais para cargos de liderança, por vezes são escolhidos os que possuem mais tempo de “casa”, por vezes “chega” um executivo de fora para trazer novidades à gestão de empresa. Nada está claro e, a arquitetura organizacional não está definida também, há cargos de gerentes (com foco mais estratégicos) e há cargos de supervisores (que atuam como os gerentes, ganham menos e tem foco mais na gestão operacional). Ambos estão no mesmo nível da arquitetura organizacional, trazendo pouca clareza a respeito destes dois cargos. No caso, Joaquim é supervisor e quer chegar ao “status de gerente” na empresa.
O Período: A Empresa possui três plantas distintas e possui dois gerentes em duas plantas e Joaquim como supervisor em uma terceira planta. Nesta, há uma previsão de crescimento em até 4 anos, mas ainda não está planejado a estrutura organizacional para este crescimento, podendo, ou não, acrescentar o cargo de gerente a sua arquitetura, mas isto levará, até 4 anos, para se definir. Também não há evidências de que o cargo será destinado a Joaquim, outra variável importante a ser considerada. Tomada de decisão para a Carreira: A análise deste cenário deve trazer todas as variáveis necessárias para uma tomada de decisão consciente.
1) Cenário Empresa: Somente em até 4 anos poderemos ter uma arquitetura organizacional capaz de “dizer”, ou não, que haverá o cargo de gerente para a planta três, onde Joaquim atua hoje. A fase é de mudança organizacional e expectativa é de crescimento, mas o setor de Recursos Humanos, não sinalizou nenhuma informação a respeito para os seus colaboradores. Não há indícios de possível progressão atualmente.
2) Cenário do Profissional (Joaquim): Está desmotivado e com intenção de atuar como gerente com foco estratégico. Ele possui competências, habilidades e atitudes, voltadas para área operacional e, precisa mapear qual é o perfil dos gerentes da empresa onde trabalha, para saber quais as competências, habilidades e atitudes são requeridas para o cargo de gerência na empresa. Assim, poderá avaliar em seu portifólio para saber se necessita desenvolver algumas delas e como irá fazer para desenvolvê-las (seja por cursos específicos, processo de coaching ou outras atividades. Também deve observar se, o capital político e as habilidades interpessoais são mais importantes e decisivas neste processo).
3) Cenário Temporal: Na empresa de Joaquim é possível que o cargo de gerência esteja previsto para ocupação em até 4 anos – sendo este período ainda pouco claro. Assim Joaquim terá que esperar cerca de 4 anos para chegar à sua meta, se quiser ficar na Empresa. Caso queira tentar buscar no mercado uma chance, terá que mapear a cultura organizacional e os perfis de lideranças nas empresas desejadas, também procurar entender como ocorrem os processos de progressão nestas empresas. Duas possibilidades se instalam:
 a) a possiblidade de ingressar diretamente em um cargo de gerência, sendo assim alcançando a sua meta de curto prazo;
 b) Ingressar em uma empresa onde terá que “aguardar na fila” o momento de uma progressão e isto poderá levar um certo tempo, chegando até aos 4 anos previstos na antiga empresa. Analisados os cenários, a tomada de decisão será mais concreta e poderá estar alinhada às expectativas de carreira do Joaquim e também da empresa onde ele trabalha.
Lição aprendida: Não adianta reclamar, ficar desmotivado, é preciso agir em busca de sua meta. Para isto é preciso de um planejamento estratégico, conhecendo os diferentes cenários, escolher o cenário ideal e se preparar para se inserir neste cenário. O importante é traçar uma meta tangível e real, capaz de percorrer todas as etapas deste processo: desde o diagnóstico da situação (estou desmotivado e quero ser gerente), até o alcance da meta (estou em um cargo de gerência e tenho todas as habilidades, atitudes e competências, capazes de corresponder ao cargo e as expectativas da empresa onde trabalho).
  29 de agosto de 2012, Ana Paula Arbache

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Educacão x Empreendedorismo

Empreendedorismo na educação formal
Vivemos em um país extremamente empreendedor onde cada vez mais será maior a possibilidade do brasileiro ser dono do seu próprio negócio. O pecado que cometemos, como sociedade, é não despertar ao máximo esse lado empreendedor de nossos jovens em todas as fases da educação. a implantação da disciplina empreendedorismo na grade curricular,trará enorme beneficios na formação da cidadania dos estudantes. Permitindo um debate rico, criando uma “onda de empreendedorismo”. Algumas características devem ser levadas em conta na identificação do potencial empreendedor do indivíduo. São elas: a busca de oportunidades e iniciativa, persistência, correr riscos calculados, exigência de qualidade e eficiência, comprometimento, busca de informações, estabelecimento de metas, planejamento e monitoramento sistemáticos, persuasão e rede de contatos, independência e autoconfiança. Esses comportamentos podem ser estimulados e desenvolvidos, e em alguns deles já são fortemente inseridos numa sociedade, outros não. Isso varia de região para região, de país para país.  esse estímulo começa no ensino fundamental com programas de desenvolvimento da cultura empreendedora, como o Programa de Estímulo à Cultura Empreendedora para as escolas, desde o 1º ano do ensino fundamental até o último ano da graduação. Respeitando o momento de aprendizado do jovem e suas necessidades de compreensão do mundo, para cada faixa etária é preciso disponibilizar  um conjunto de ferramentas educacionais que permite sensibilizar, estimular e aplicar o empreendedorismo. Ter o empreendedorismo na grade curricular não é uma tarefa dispendiosa. Pelo contrário, depende muito mais de vontade política do que verbas. A metodologia já existe e a formação dos docentes pode ser realizada atravès de programa de aperfeiçoamento estimulada pela propria instituição de ensino. É muito importante que nossos jovens sejam preparados para que possam, ao deixar o ambiente estudantil, gerir seus próprios negócios. Nosso sistema atual não os prepara adequadamente para essa realidade e, nesse contexto, torna-se extremamente importante a aliança do conhecimento técnico ao espírito empreendedor. Educação é o nosso maior e melhor investimento. Deve ser prioridade de qualquer política pública. Adequar nossa grade de educação, inserindo a cadeira do empreendedorismo, é certeza de uma sociedade melhor preparada para a realidade presente e futura. As perspectivas econômicas para os próximos sete anos são de que vamos dobrar o número de micro e pequenas empresas no país, com uma empresa a cada 24 habitantes. Precisamos expressar isso numa melhor formação dos nossos jovens, pois eles serão os líderes desses novos empreendimentos. Tratar a cultura empreendedora como um valor importante para nossa sociedade é estimular que cada ser humano seja responsável por sua ação. Levar o empreendedorismo para o ambiente escolar é colaborar para que esse jovem se prepare para o futuro, enxergue oportunidades e tenha todo o ambiente favorável para que novas mudanças positivas aconteçam. Dessa forma, não podemos perder a chance de despertar nos jovens o espírito empreendedor, pois muitos deles encontrarão oportunidades, montando negócios, gerando empregos e riqueza para o país. “Adequar nossa grade de educação, inserindo a cadeira do empreendedorismo, é certeza de uma sociedade melhor preparada para a realidade presente e futura.” 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

IBM cria bit de 12 átomos e abre caminho para HDs mais potentes



Cientistas utilizaram um método chamado “antiferromagnetismo”, em que os átomos giram em direções opostas.

A IBM anunciou que, depois de cinco anos de trabalho, pesquisadores da empresa foram capazes de reduzir de cerca de 1 milhão para 12 o número de átomos necessários para criar um bit de dados. O avanço pode um dia permitir que os fabricantes de hardware produzam dispositivos com capacidades muito acima do que oferecem os discos rígidos e pendrives atuais.

“Olhando de maneira conservadora, em vez de um aparelho com 1TB (terabyte), você terá de 100TB até 150TB de espaço. Será possível ter todos os seus vídeos consigo”, afirmou Andreas Heinrich, membro do setor de pesquisa da IBM e principal responsável pelo projeto.

Os dispositivos de armazenamento atuais utilizam materiais ferromagnéticos nos quais os átomos são alinhados na mesma direção. Os cientistas utilizaram um método diferente chamado “antiferromagnetismo”, em que os átomos giram em direções opostas, fazendo com que seja possível criar memórias magnéticas em escala atômica, cem vezes mais densas do que os chips de estado sólido e discos rígidos.

No lugar do método atual, no qual os átomos são alinhados com a mesma polarização magnética, necessitando uma distância maior entre eles, a IBM criou átomos com magnetização oposta, deixando-os ainda mais próximos.

“A Lei de Moore é basicamente o caminho da indústria para encolher componentes cada vez mais e, então, resolver os desafios de engenharia que surgem, porém mantendo os mesmos conceitos básicos – que não mudaram muito nos últimos 20 anos em relação ao armazenamento magnético de dados ou mesmo de transistores. O fim da linha da Lei de Moore é um único átomo, e é nesse momento que entramos”, explicou Heinrich.

Os cientistas começaram com um único átomo de ferro e utilizaram uma espécie de microscópio para mudar as informações magnéticas em átomos sucessivos, até que fosse possível armazenar um bit de informação de maneira segura em 12 átomos. A ponta do microscópio foi, então, usada para mudar a informação nos bits de zero para um novamente, permitindo que fosse guardada. A IBM utilizou átomos de ferro em nitrato de cobre para realizar os experimentos, entretanto outros materiais poderiam, teoricamente, requerer ainda menos átomos para armazenar os dados.

Heinrich fez questão de apontar de que o avanço é mais teórico do que prático a esse ponto. Os fabricantes não vão produzir dispositivos de armazenamento que utilizam um microscópio para remanejar os bits, no entanto a pesquisa prova que os meios de armazenagem podem ser muito mais densos do que atualmente.

O especialista previu que aparelhos que utilizem o novo método demorariam de cinco a 10 anos para serem desenvolvidos, entretanto o estudo é crucial para provar que os antigos limites teóricos para armazenamento de dados não existem. “Utilizar átomos de ferro em uma superfície de nitrato de cobre é muito distante da tecnologia real. Você não vai querer construir isso com a ferramenta que estamos utilizando, que é exclusivamente para pesquisa. Isso é para ser construído de forma mais barata para ser acessível – é um desafio de engenharia enorme” explicou.

“Antiferromagnetismo” não é o único projeto de armazenamento de dados no qual a IBM está trabalhando. A companhia produziu seu primeiro circuito de memória Racetrack, que poderia produzir chips de silício com a capacidade dos HDs atuais, porém mantendo a durabilidade e perfomance da memória flash. Henrich, no entanto enxerga a tecnologia Racetrack como um intermediário entre o armazenamento utilizado hoje a descoberta mais recente da empresa.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011


O alvo preferido do homem mais rico do mundo é o Brasil. Com um patrimônio de US$ 63 bilhões pelo ranking da "Forbes", o mexicano Carlos Slim injetou R$ 9,4 bilhões em 2011 no país, informa reportagem de Sofia Fernandes publicada na edição desta terça-feira da Folha.
A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
As três principais empresas de Slim no Brasil são Claro, Embratel e Net.
Para 2012, o grupo prevê R$ 10 bilhões dedicados sobretudo a essas três operadoras. A cifra deve incluir a construção de um cabo submarino do Brasil para os Estados Unidos para tráfego de dados, segundo o presidente da Claro no Brasil, Carlos Zenteno.
Diogo Shiraiwa/Lézio Júnior/Editoria de Arte/Folhapress

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


BOMBACHA, CUIA E IPAD

UMA ANÁLISE SOBRE OS HÁBITOS E COMPORTAMENTOS DO GAÚCHO REVELA NÃO SÓ UM, MAS VÁRIOS PERFIS DIFERENTES DE CONSUMIDOR – E COLOCA MAIS UM ENIGMA PARA AS MARCAS QUE ALMEJAM ESPAÇO NO RIO GRANDE DO SUL



Comecemos pelo óbvio: o gaúcho é peculiar. Conservador, exigente, entusiasta das tradições locais, avesso ao endividamento – e aí estão apenas alguns dos traços que ajudam a delinear o perfil desse consumidor tão único e enigmático. As diferenças vão além de hábitos e preferências de consumo. Entram também nos campos político e ideológico, talhados no imaginário dos gaúchos por guerras e revoluções históricas, pela forte influência dos imigrantes europeus, pela proximidade com os vizinhos platinos e pela exaltação de heróis que teriam dado a vida pelos ideais de um Rio Grande independente, republicano e utópico.
Tudo isso é conhecido e já foi amplamente discutido e estudado. O que pouca gente sabe – e muitas empresas ignoram – é que, por trás desse estereótipo tão marcante, há grupos de consumidores com características próprias. Grupos com hábitos de compra particulares, que se relacionam com as marcas de formas bem diferentes. E que, olhados em conjunto, tornam relativas quase todas as generalizações acerca de quem é e como se comporta o gaúcho.
Uma pista sobre quais são esses grupos pode ser encontrada em um livro recente, lançado pela DCS com base em um levantamento da Segmento Pesquisas – agência que também é responsável pelo trabalho de campo do Top of Mind. “Postais do Rio Grande do Sul – Um Olhar sobre o Estado com a Razão e a Emoção dos Gaúchos” coloca em evidência algumas características pouco conhecidas dos consumidores locais. Por exemplo: 83% deles sonha em fazer uma “viagem de sonhos”, de preferência para um lugar ensolarado – o Rio de Janeiro é citado por 11% dos entrevistados. A grande maioria (77%) ainda se apega ao churrasco como prato preferido e 53% identificam o cavalo como o animal-símbolo do Estado. Mas isso não significa que eles rejeitem as novidades que vêm de fora. A maior parte dos gaúchos diz ser favorável a pesquisas com células tronco e 30% têm o sertanejo como gênero musical preferido – índice superior ao da música tradicionalista. “O gaúcho é, sim, muito conservador em seus hábitos. Mas já é possível detectar algumas diferenças que são importantes para traçar linhas de comunicação mais eficientes com ele”, detalha Antonio D’Alessandro, sócio-presidente da DCS.
Conhecer a fundo essas diferenças também ajuda no desenvolvimento de estratégias de marketing e vendas. “Todos os anos, somos procurados por empresas que nos solicitam pesquisas específicas sobre isso. Sem esses dados, elas nem se arriscam a pisar em solo gaúcho”, garante Nádia Freire, diretora da Segmento. Algumas companhias, diz ela, adaptam suas campanhas de comunicação às preferências de cada grupo de consumidores ou à região em que eles se encontram. Sabe-se, por exemplo, que os habitantes da serra gaúcha tendem a conservar os traços atribuídos ao imigrante italiano: são normalmente religiosos, dormem e acordam cedo, trabalham muito e não fazem questão de cumprir feriados – em Caxias do Sul, muitas companhias sequer param durante o carnaval. Já no sul, no eixo Pelotas-Rio Grande, o consumidor prefere dormir mais tarde e não abre mão de festas, feriados e atrações culturais. Outra diferença está no perfil dos gastos: os habitantes da serra são poupadores ferrenhos, enquanto os do sul tomam mais dinheiro emprestado e são mais suscetíveis a liquidações e promoções.

Força no interior
Ainda que sejam sutis, as diferenças inter- regionais podem ter grande influência sobre os resultados de algumas empresas. Até porque o Rio Grande do Sul tem uma característica que foge à regra da maioria dos Estados brasileiros: aqui, capital e região metropolitana concentram apenas 20% do potencial de consumo. Conforme um levantamento da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza, especializada em varejo, todos os 80% restantes se encontram no interior, especialmente em polos regionais como Passo Fundo, Erechim, Uruguaiana etc. “O Rio Grande do Sul se comporta tipicamente como uma nação, com acentuadas diferenças internas. Isso é um ônus e um bônus. Por um lado, ficamos presos a algumas crenças, mas por outro temos uma identidade própria”, argumenta Gilberto Della Giustina, diretor de planejamento do GAD Design.
Algumas empresas já estão atentas a essa realidade. É o caso da Lojas Colombo. Todos os anos, entre outubro e novembro, a empresa de Farroupilha realiza uma ampla pesquisa para mapear as tendências de consumo para o ano seguinte. As peculiaridades regionais são levadas em conta não só na hora de desenvolver as estratégias de comunicação para o mercado gaúcho, mas também de definir o mix de produtos de cada loja. Os consumidores da serra gaúcha, por exemplo, tendem a comprar mais produtos de ginástica e fitness – consequência direta do hábito de se exercitar em casa, a salvo do frio. “Além disso, aqui na serra e no interior em geral, as lojas precisam oferecer produtos como o fogão a lenha. As pessoas têm um costume de chegar mais cedo em casa e isso faz a diferença”, compara Thiago Baisch, diretor de vendas e marketing da Colombo. “Já na capital e na região metropolitana o padrão é bem diferente. Não vendemos tanto fogão, mas em compensação saem muito mais splits”, diz ele.

Campeões do crédito
Conforme a pesquisa realizada por DCS e Segmento, os contrastes de cada região do Estado também dizem respeito a fatores mais mundanos – como a forma de comprar roupas, as preferências artísticas e até o uso do computador. Os moradores de Caxias do Sul, por exemplo, identificam-se muito com a palavra “prosperidade” e consideram a poupança um hábito quase sagrado. Essa tendência, aliás, reforça as características observadas pelo Banrisul. Conforme Jone Pfeiff, diretor comercial do banco, as cidades que mais tomam crédito estão longe da serra gaúcha – concentram-se na metade sul e na região central do Estado, especialmente em Santa Maria. “Entre as regiões, a metade sul costumava ser, no passado, a maior tomadora de crédito. Mas, devido ao desenvolvimento da região com a vinda do polo naval, ela está perdendo esse posto”, explica Pfeiff.
Os “gastadores” ficam na região noroeste. Nas cidades de Passo Fundo e Erechim, por exemplo, aparecem os maiores índices de gaúchos que realizaram grandes viagens no ano passado – nada menos que 66% do total. A região também se destaca por abrigar consumidores altamente dispostos a pagar caro por roupas e acessórios da moda. E as diferenças não param aí. Conforme Baisch, da Lojas Colombo, Passo Fundo está entre as cidades que mais consomem lavadoras de roupa. Bem diferente de Porto Alegre, onde a demanda por lavadoras rivaliza com a de secadoras – já que o espaço para o bom e velho varal é mais restrito. Finalmente, o noroeste também ostenta o maior índice de gaúchos que afirmam saber usar o computador (20%) – uma consequência direta do atual ciclo de desenvolvimento da região, que está deixando de ser essencialmente agrícola graças à emergência de grandes indústrias dos setores alimentício e do agronegócio.
Enquanto isso, na metade sul, o atual boom econômico desencadeado pelo polo naval gera um padrão de consumo distinto. Boa parte da população local está começando a se habituar à pujança e, por isso, nem sempre apresenta a mesma sofisticação do pessoal do noroeste. Muitos trabalhadores e operários – vindos inclusive de fora do Rio Grande do Sul – acabaram de chegar à região em busca de oportunidades de emprego. Na prática, é como se Pelotas, Rio Grande, Dom Pedrito e Santana do Livramento, entre outros municípios da região, aglutinassem o que se convencionou chamar de “nova classe C”. Isto é: um mercado grandioso, com alto potencial de crescimento, mas que ainda está em fase de amadurecimento. Traço ainda visível disso é a falta de familiaridade com meios de pagamento mais avançados – como o cartão de crédito. Em algumas cidades do interior, ainda é possível encontrar lojas cujas vendas a prazo são realizadas com o tradicionalíssimo carnê. “Sei de algumas varejistas que tentaram impor apenas a opção do dinheiro de plástico, mas tiveram de voltar atrás”, conta Hermes Ghidini, consultor de marketing especializado em varejo.

Sem estereotipar
É claro que essas e outras características não são definitivas. São tendências ou, no máximo, traços de comportamento mapeados por algumas empresas e agências de pesquisa. Não estão sequer livres de contradições. É errado pensar, por exemplo, que a metade sul seja um reduto exclusivo de consumo popular. Há, sim, consumidores altamente sofisticados por lá. Historicamente, a região tem se posicionado como um verdadeiro dínamo de produções culturais e intelectuais do Estado, além de ostentar o maior percentual (62%) de gaúchos que afirmam gostar de estudar. O mesmo se pode dizer do centro do Rio Grande do Sul, fortemente influenciado por universidades e pela circulação de jovens vindos de diversas partes – inclusive de fora do Brasil. Cerca de 41% dos moradores de Santa Maria alegam apreciar pinturas, por exemplo. Outros 27% gostam de arquitetura. “A densidade de universidades em Santa Maria e arredores estimula essa procura pela intelectualidade”, analisa Antonio D’Alessandro, da DCS. Além da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pelo menos outras cinco instituições de ensino superior atuam na região.
Porto Alegre e região metropolitana compreendem a área mais cosmopolita do Rio Grande do Sul. O consumidor da capital preserva alguns traços do interior, como a tendência ao conservadorismo e o alto grau de exigência em relação à qualidade de produtos e serviços. Mas nem por isso deixa de experimentar novidades. ”Produtos novos sempre ‘pegam’ primeiro nessas regiões. Isotônicos, hidrotônicos e chás, por exemplo, são consumidos com mais rapidez e facilidade na capital e na região metropolitana, antes de deslancharem em outras partes do Estado”, conta Luiz Fernando Mattos, diretor de marketing da Vonpar, empresa que representa a Coca-Cola no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Segundo Mattos, os consumidores do interior se apegam mais a produtos consagrados.
Para alguns profissionais de marketing, incorporar esses diferentes sotaques às estratégias de construção de marca é um passo essencial na busca de empatia com diferentes públicos. “É extremamente relevante planejar tendo em mente as semelhanças e particularidades de cada região, como características demográficas, poder de compra, cultura, uso e penetração de tecnologia”, argumenta Daniel Prestes, planejador estratégico da 180Amsterdam – agência de publicidade com sede na Holanda, cujo portfólio inclui grifes como Adidas e Motorola. Mas, atenção: é preciso saber dosar as adaptações – de tal forma que a identidade da marca não seja arruinada. “A tentativa de aproximação não pode expor a população ao ridículo e ao caricato”, defende João Satt, diretor-presidente do Grupo Competence. Uma campanha publicitária em Uruguaiana, exemplifica ele, não precisa ter sempre a figura de um gaúcho com bombachas. “As marcas, inclusive as regionais, têm de ser as mesmas em todos os mercados.”
Um caso bem-sucedido é o da rede de supermercados Walmart. Embora conte com táticas de venda específicas para cada mercado em que atua ao redor do mundo, a empresa não ousa passar de um certo limite. Eliane Ramos Moraes Santos, gerente de marketing do Walmart para a região sul, garante: ninguém jamais verá peças publicitárias da empresa com interjeições tipicamente gaúchas como “Bah”, “Tri” ou “Tchê”. “Preferimos não utilizar, até para não parecer forçado”, diz ela. Em compensação, a companhia faz questão de reconhecer feriados e festividades importantes para o imaginário do consumidor gaúcho, tais como a Semana Farroupilha. “O que conta é ter à disposição produtos regionais, como a erva-mate, a cuca e outros. Mas são ações nas lojas, e não necessariamente mudanças de linguagem”, explica Eliane. Certo ou errado, o fato é que as duas principais bandeiras do Walmart no Rio Grande do Sul – Nacional e Big – vêm se revezando há anos no topo do ranking das marcas mais lembradas pelos gaúchos na categoria Supermercado do Top of Mind.
Mas há empresas, especialmente as de abrangência regional, que conseguem incorporar melhor os sotaques locais. A AES Sul, por exemplo, adota uma política de comunicação flexível, que varia sutilmente de um mercado para outro. Recentemente, a concessionária de energia lançou uma campanha que retratava hábitos típicos das três regiões em que atua no Rio Grande do Sul – a fronteira, o centro-oeste e a região metropolitana de Porto Alegre. Entre outras peças, a campanha contou com quatro VTs, um para cada área de influência da AES Sul. “A comunicação mais próxima da realidade do consumidor é compreendida e aceita de maneira melhor. Desde o inicio da nossa trajetória, buscamos contemplar estas características”, conta Antônio Carlos de Oliveira, diretor-geral da empresa.
A regionalização não fica só no discurso. Na prática, a AES Sul também conta com padrões de atendimento específicos para cada região do Estado. Entre outubro e março, por exemplo, a fronteira apresenta picos de consumo de energia em função da colheita da soja. Nesse período, a AES Sul disponibiliza dez equipes de força-tarefa, que ficam a postos para prestar assistência técnica em caso de quedas no abastecimento à região. A companhia estimula, ainda, os agricultores a trocar equipamentos antigos – que consomem grandes quantidades de energia – por similares mais modernos e econômicos.
Exemplos como o da AES Sul são importantes para quem quer evitar exageros e deslizes. De nada adianta criar uma expectativa no consumidor e não ser capaz de cumpri-la. Da mesma forma, é inútil apostar em linhas de comunicação específicas para cada região e, no dia a dia, tratar os clientes como se fossem um só. “A propaganda ‘fala para’. Já os exemplos ‘falam com’. É necessário ter um olho na propaganda e outro na presença física nas comunidades”, explica Dado Schneider, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em Porto Alegre. Ele lembra que muitas marcas já tentaram imitar os sotaques gaúchos e nem por isso se tornaram relevantes no Estado. O ideal, diz ele, não é apostar na ausência ou no excesso de gauchismo, e sim saber valorizar aquilo que é importante para a comunidade. “Se a quermesse é o grande evento da cidade pequena do interior, então vamos patrociná-lo – ou pelo menos tentar participar dele”, ilustra Schneider.

Presença é fundamental
O contato direto com a comunidade é tão essencial quanto a publicidade na consolidação de uma marca. É no ponto de venda que o consumidor tem a chance de avaliar se a empresa cumpre o que diz. Daí a importância de os funcionários da linha de frente terem uma postura condizente com aquilo que a companhia promete. No Sicredi, as agências seguem uma cartilha única de procedimentos para determinar o limite de crédito de seus clientes. Essa cartilha, porém, permite que se façam pequenas adaptações – respeitando, assim, o perfil e os hábitos de consumo de cada região. Para assegurar que as unidades da cooperativa tomem sempre a melhor decisão, a cooperativa também conta com uma área de pesquisa e inteligência de mercado que ajuda a desvendar como os gaúchos lidam com o dinheiro. “Dependendo da regional, há uma estratégia totalmente diferente para conceder crédito e atrair novos cooperados. Tudo depende desses aspectos comportamentais”, assegura Ivan Novello, gerente de comunicação da Central Sicredi Sul.
Estratégia semelhante é adotada pela Pompéia. Com 58 lojas em todo o Rio Grande do Sul, a rede varejista adota uma única linguagem em suas ações de comunicação. Entretanto, estimula seus funcionários a atender de acordo com os costumes e até dialetos locais. Em Santa Cruz do Sul, reduto de descendentes da imigração alemã, é comum os clientes serem recebidos com um sonoro “willkommen”. Em São Lourenço do Sul, alguns atendentes são fluentes em pomerano, um dialeto ainda presente entre os descendentes de poloneses e alemães. Os supervisores de cada região também são responsáveis por elencar as datas importantes da comunidade e, muitas vezes, escolhem os veículos de comunicação para divulgar anúncios, spots ou VTs de abrangência regional. “Esse olhar local é muito importante no nosso modo de gerenciar”, garante Carmem Ferrão, superintendente de marketing e vendas das Lojas Pompéia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Meu filho, voce não merece nada

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum


Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.