terça-feira, 14 de maio de 2013
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segunda-feira, 25 de março de 2013
BRAND INSIGHTS
- Você sabe qual o propósito da sua empresa? 10 executivos da organização responderiam a essa pergunta de forma consistente?
- A sua empresa traz para o mundo algo mais significativo do que produtos e serviços?
- A sua empresa aufere lucros de um modo consistente com seu propósito?
- O propósito da sua empresa a distingue das demais, permitindo que ela obtenha maiores lucros?
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012
O incrível poder de nossos modelos mentais
Gostaria de pontuar algumas coisas que ainda estão conosco em virtude da nossa forma de pensar: “Por do sol” – nós sabemos que é a terra que gira em torno do sol e não o sol que nasce e se põe no ocidente. Até quando vamos usar esse termo impróprio? Quer ver outro contra senso? Em 1870, Shole & Co., o principal fabricante de máquina de escrever recebia muitas reclamações que as letras das máquinas ficavam encavaladas quando a secretária batia rápido demais. Solução? Decidiram criar uma configuração nada prática para retardar o processo de digitação dos datilógrafos. Já se passaram 142 anos e nossos teclados de computador continuam ainda com essa configuração. O mais curioso é que em 1936, August Dvorak patenteou um teclado substancialmente melhor, e continuamos a usar a configuração antiga numa das indústrias que mais evolui – a da computação!
O mesmo olhar produz uma percepção bem diferente em cada pessoa. E o que faz a diferença? São nossos modelos mentais. A forma como vemos é afetada pelo que sabemos e pelo que acreditamos. Nós só enxergamos aquilo que olhamos e prestamos atenção. Weltanschauung (nossa maneira de olhar o mundo) é uma questão de escolha. A habilidade de ver o mundo de forma diferente consegue criar oportunidades significativas uma vez que seus modelos mentais condicionam sua reação em cada área de sua vida. Em geral, há uma tendência de tomar os limites de nosso próprio campo de visão como os limites do mundo. E sabe por que isso acontece? É porque a capacidade para discernir é bem diferente da capacidade de ver.
Para quem quiser começar a fazer uma mudança, sugiro que passe a entender o ponto de vista (modelos mentais) dos clientes, do chefe, dos colegas de trabalho a fim de começar a corresponder em vez de simplesmente reagir.
Moral da história: A mudança no mundo começa por mudar nossos próprios pensamentos e visões. E para fazer essa mudança interior é preciso aprender, desaprender e reaprender.
Adão Roberto fez MBA nos EUA e é Máster Trainer em Empreendedorismo pela ONU.
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Meta De Carreira: Você É Capaz De Percorrer Todas As Etapas Deste Processo? Do Operacional Ao Cargo Estratégico
Tenho conversado com muitos coachees que têm suas carreiras, altamente direcionadas para a área técnica e operacional. Os seus currículos são bem definidos, constando de certificações na área de atuação e MBAs voltados para os segmentos e departamentos os quais trabalham.
Nada mal, se eles não ambicionassem cargos estratégicos a curto prazo! Com um currículo focado no desenvolvimento de competências técnicas, estes sujeitos têm limitado as suas atuações em territórios exclusivamente operacionais, com bons resultados que são reconhecidos pelas empresas em que trabalham. No entanto, seguem confinados nestes territórios e, por vezes preteridos em processos de progressão para cargos de liderança estratégica.
É bom definir que, nos depoimentos coletados, estes coachees atuam em empresas com pouca transparência, no que tange aos mecanismos de progressão de carreira. Esta lacuna de evidências das habilidades, competências e atitudes que o líder deve ter ao atuar na respectiva empresa, fragiliza o processo de escolha e definição do profissional que ocupará o cargo de liderança. Sendo assim, estamos lidando em uma seara, onde tudo pode acontecer.
Em culturas organizacionais pouco demarcadas em processos de progressão de cargos e salários, o que fica de aprendizado é o seguinte: É preciso que o próprio profissional faça o mapeamento correto dos perfis que atua na empresa, desde o perfil do profissional técnico e operacional, até dos líderes de equipe. Este mapeamento ajudará a conhecer as reais possibilidades, que o mesmo deverá possuir, ou desenvolver, para alcançar o cargo de liderança o qual almeja.
Vejamos o exemplo:
O Profissional: Joaquim é um profissional, que possui três certificações reconhecidas na área que atua. Ele está cursando o segundo MBA voltado para segmento que trabalha, mas está querendo mudar de cargo, buscando um cargo mais estratégico capaz de motivá-lo a continuar na empresa. Joaquim quer chegar neste cargo em até dois anos e, para isto, já está analisando o cenário da empresa atualmente.
A Empresa: A empresa que Joaquim trabalha não tem definido como é a escolha de profissionais para cargos de liderança, por vezes são escolhidos os que possuem mais tempo de “casa”, por vezes “chega” um executivo de fora para trazer novidades à gestão de empresa. Nada está claro e, a arquitetura organizacional não está definida também, há cargos de gerentes (com foco mais estratégicos) e há cargos de supervisores (que atuam como os gerentes, ganham menos e tem foco mais na gestão operacional). Ambos estão no mesmo nível da arquitetura organizacional, trazendo pouca clareza a respeito destes dois cargos. No caso, Joaquim é supervisor e quer chegar ao “status de gerente” na empresa.
O Período: A Empresa possui três plantas distintas e possui dois gerentes em duas plantas e Joaquim como supervisor em uma terceira planta. Nesta, há uma previsão de crescimento em até 4 anos, mas ainda não está planejado a estrutura organizacional para este crescimento, podendo, ou não, acrescentar o cargo de gerente a sua arquitetura, mas isto levará, até 4 anos, para se definir. Também não há evidências de que o cargo será destinado a Joaquim, outra variável importante a ser considerada.
Tomada de decisão para a Carreira: A análise deste cenário deve trazer todas as variáveis necessárias para uma tomada de decisão consciente.
1) Cenário Empresa: Somente em até 4 anos poderemos ter uma arquitetura organizacional capaz de “dizer”, ou não, que haverá o cargo de gerente para a planta três, onde Joaquim atua hoje. A fase é de mudança organizacional e expectativa é de crescimento, mas o setor de Recursos Humanos, não sinalizou nenhuma informação a respeito para os seus colaboradores. Não há indícios de possível progressão atualmente.
2) Cenário do Profissional (Joaquim): Está desmotivado e com intenção de atuar como gerente com foco estratégico. Ele possui competências, habilidades e atitudes, voltadas para área operacional e, precisa mapear qual é o perfil dos gerentes da empresa onde trabalha, para saber quais as competências, habilidades e atitudes são requeridas para o cargo de gerência na empresa. Assim, poderá avaliar em seu portifólio para saber se necessita desenvolver algumas delas e como irá fazer para desenvolvê-las (seja por cursos específicos, processo de coaching ou outras atividades. Também deve observar se, o capital político e as habilidades interpessoais são mais importantes e decisivas neste processo).
3) Cenário Temporal: Na empresa de Joaquim é possível que o cargo de gerência esteja previsto para ocupação em até 4 anos – sendo este período ainda pouco claro. Assim Joaquim terá que esperar cerca de 4 anos para chegar à sua meta, se quiser ficar na Empresa. Caso queira tentar buscar no mercado uma chance, terá que mapear a cultura organizacional e os perfis de lideranças nas empresas desejadas, também procurar entender como ocorrem os processos de progressão nestas empresas. Duas possibilidades se instalam:
a) a possiblidade de ingressar diretamente em um cargo de gerência, sendo assim alcançando a sua meta de curto prazo;
b) Ingressar em uma empresa onde terá que “aguardar na fila” o momento de uma progressão e isto poderá levar um certo tempo, chegando até aos 4 anos previstos na antiga empresa.
Analisados os cenários, a tomada de decisão será mais concreta e poderá estar alinhada às expectativas de carreira do Joaquim e também da empresa onde ele trabalha.
Lição aprendida: Não adianta reclamar, ficar desmotivado, é preciso agir em busca de sua meta. Para isto é preciso de um planejamento estratégico, conhecendo os diferentes cenários, escolher o cenário ideal e se preparar para se inserir neste cenário. O importante é traçar uma meta tangível e real, capaz de percorrer todas as etapas deste processo: desde o diagnóstico da situação (estou desmotivado e quero ser gerente), até o alcance da meta (estou em um cargo de gerência e tenho todas as habilidades, atitudes e competências, capazes de corresponder ao cargo e as expectativas da empresa onde trabalho).
29 de agosto de 2012, Ana Paula Arbache
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quinta-feira, 5 de abril de 2012
Educacão x Empreendedorismo
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
IBM cria bit de 12 átomos e abre caminho para HDs mais potentes
Cientistas utilizaram um método chamado “antiferromagnetismo”, em que os átomos giram em direções opostas.
A IBM anunciou que, depois de cinco anos de trabalho, pesquisadores da empresa foram capazes de reduzir de cerca de 1 milhão para 12 o número de átomos necessários para criar um bit de dados. O avanço pode um dia permitir que os fabricantes de hardware produzam dispositivos com capacidades muito acima do que oferecem os discos rígidos e pendrives atuais.
“Olhando de maneira conservadora, em vez de um aparelho com 1TB (terabyte), você terá de 100TB até 150TB de espaço. Será possível ter todos os seus vídeos consigo”, afirmou Andreas Heinrich, membro do setor de pesquisa da IBM e principal responsável pelo projeto.
Os dispositivos de armazenamento atuais utilizam materiais ferromagnéticos nos quais os átomos são alinhados na mesma direção. Os cientistas utilizaram um método diferente chamado “antiferromagnetismo”, em que os átomos giram em direções opostas, fazendo com que seja possível criar memórias magnéticas em escala atômica, cem vezes mais densas do que os chips de estado sólido e discos rígidos.
No lugar do método atual, no qual os átomos são alinhados com a mesma polarização magnética, necessitando uma distância maior entre eles, a IBM criou átomos com magnetização oposta, deixando-os ainda mais próximos.
“A Lei de Moore é basicamente o caminho da indústria para encolher componentes cada vez mais e, então, resolver os desafios de engenharia que surgem, porém mantendo os mesmos conceitos básicos – que não mudaram muito nos últimos 20 anos em relação ao armazenamento magnético de dados ou mesmo de transistores. O fim da linha da Lei de Moore é um único átomo, e é nesse momento que entramos”, explicou Heinrich.
Os cientistas começaram com um único átomo de ferro e utilizaram uma espécie de microscópio para mudar as informações magnéticas em átomos sucessivos, até que fosse possível armazenar um bit de informação de maneira segura em 12 átomos. A ponta do microscópio foi, então, usada para mudar a informação nos bits de zero para um novamente, permitindo que fosse guardada. A IBM utilizou átomos de ferro em nitrato de cobre para realizar os experimentos, entretanto outros materiais poderiam, teoricamente, requerer ainda menos átomos para armazenar os dados.
Heinrich fez questão de apontar de que o avanço é mais teórico do que prático a esse ponto. Os fabricantes não vão produzir dispositivos de armazenamento que utilizam um microscópio para remanejar os bits, no entanto a pesquisa prova que os meios de armazenagem podem ser muito mais densos do que atualmente.
O especialista previu que aparelhos que utilizem o novo método demorariam de cinco a 10 anos para serem desenvolvidos, entretanto o estudo é crucial para provar que os antigos limites teóricos para armazenamento de dados não existem. “Utilizar átomos de ferro em uma superfície de nitrato de cobre é muito distante da tecnologia real. Você não vai querer construir isso com a ferramenta que estamos utilizando, que é exclusivamente para pesquisa. Isso é para ser construído de forma mais barata para ser acessível – é um desafio de engenharia enorme” explicou.
“Antiferromagnetismo” não é o único projeto de armazenamento de dados no qual a IBM está trabalhando. A companhia produziu seu primeiro circuito de memória Racetrack, que poderia produzir chips de silício com a capacidade dos HDs atuais, porém mantendo a durabilidade e perfomance da memória flash. Henrich, no entanto enxerga a tecnologia Racetrack como um intermediário entre o armazenamento utilizado hoje a descoberta mais recente da empresa.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
As três principais empresas de Slim no Brasil são Claro, Embratel e Net.
Para 2012, o grupo prevê R$ 10 bilhões dedicados sobretudo a essas três operadoras. A cifra deve incluir a construção de um cabo submarino do Brasil para os Estados Unidos para tráfego de dados, segundo o presidente da Claro no Brasil, Carlos Zenteno.
Diogo Shiraiwa/Lézio Júnior/Editoria de Arte/Folhapress
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

BOMBACHA, CUIA E IPAD
UMA ANÁLISE SOBRE OS HÁBITOS E COMPORTAMENTOS DO GAÚCHO REVELA NÃO SÓ UM, MAS VÁRIOS PERFIS DIFERENTES DE CONSUMIDOR – E COLOCA MAIS UM ENIGMA PARA AS MARCAS QUE ALMEJAM ESPAÇO NO RIO GRANDE DO SUL
Comecemos pelo óbvio: o gaúcho é peculiar. Conservador, exigente, entusiasta das tradições locais, avesso ao endividamento – e aí estão apenas alguns dos traços que ajudam a delinear o perfil desse consumidor tão único e enigmático. As diferenças vão além de hábitos e preferências de consumo. Entram também nos campos político e ideológico, talhados no imaginário dos gaúchos por guerras e revoluções históricas, pela forte influência dos imigrantes europeus, pela proximidade com os vizinhos platinos e pela exaltação de heróis que teriam dado a vida pelos ideais de um Rio Grande independente, republicano e utópico.
Tudo isso é conhecido e já foi amplamente discutido e estudado. O que pouca gente sabe – e muitas empresas ignoram – é que, por trás desse estereótipo tão marcante, há grupos de consumidores com características próprias. Grupos com hábitos de compra particulares, que se relacionam com as marcas de formas bem diferentes. E que, olhados em conjunto, tornam relativas quase todas as generalizações acerca de quem é e como se comporta o gaúcho.
Uma pista sobre quais são esses grupos pode ser encontrada em um livro recente, lançado pela DCS com base em um levantamento da Segmento Pesquisas – agência que também é responsável pelo trabalho de campo do Top of Mind. “Postais do Rio Grande do Sul – Um Olhar sobre o Estado com a Razão e a Emoção dos Gaúchos” coloca em evidência algumas características pouco conhecidas dos consumidores locais. Por exemplo: 83% deles sonha em fazer uma “viagem de sonhos”, de preferência para um lugar ensolarado – o Rio de Janeiro é citado por 11% dos entrevistados. A grande maioria (77%) ainda se apega ao churrasco como prato preferido e 53% identificam o cavalo como o animal-símbolo do Estado. Mas isso não significa que eles rejeitem as novidades que vêm de fora. A maior parte dos gaúchos diz ser favorável a pesquisas com células tronco e 30% têm o sertanejo como gênero musical preferido – índice superior ao da música tradicionalista. “O gaúcho é, sim, muito conservador em seus hábitos. Mas já é possível detectar algumas diferenças que são importantes para traçar linhas de comunicação mais eficientes com ele”, detalha Antonio D’Alessandro, sócio-presidente da DCS.
Conhecer a fundo essas diferenças também ajuda no desenvolvimento de estratégias de marketing e vendas. “Todos os anos, somos procurados por empresas que nos solicitam pesquisas específicas sobre isso. Sem esses dados, elas nem se arriscam a pisar em solo gaúcho”, garante Nádia Freire, diretora da Segmento. Algumas companhias, diz ela, adaptam suas campanhas de comunicação às preferências de cada grupo de consumidores ou à região em que eles se encontram. Sabe-se, por exemplo, que os habitantes da serra gaúcha tendem a conservar os traços atribuídos ao imigrante italiano: são normalmente religiosos, dormem e acordam cedo, trabalham muito e não fazem questão de cumprir feriados – em Caxias do Sul, muitas companhias sequer param durante o carnaval. Já no sul, no eixo Pelotas-Rio Grande, o consumidor prefere dormir mais tarde e não abre mão de festas, feriados e atrações culturais. Outra diferença está no perfil dos gastos: os habitantes da serra são poupadores ferrenhos, enquanto os do sul tomam mais dinheiro emprestado e são mais suscetíveis a liquidações e promoções.
Força no interior
Ainda que sejam sutis, as diferenças inter- regionais podem ter grande influência sobre os resultados de algumas empresas. Até porque o Rio Grande do Sul tem uma característica que foge à regra da maioria dos Estados brasileiros: aqui, capital e região metropolitana concentram apenas 20% do potencial de consumo. Conforme um levantamento da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza, especializada em varejo, todos os 80% restantes se encontram no interior, especialmente em polos regionais como Passo Fundo, Erechim, Uruguaiana etc. “O Rio Grande do Sul se comporta tipicamente como uma nação, com acentuadas diferenças internas. Isso é um ônus e um bônus. Por um lado, ficamos presos a algumas crenças, mas por outro temos uma identidade própria”, argumenta Gilberto Della Giustina, diretor de planejamento do GAD Design.
Algumas empresas já estão atentas a essa realidade. É o caso da Lojas Colombo. Todos os anos, entre outubro e novembro, a empresa de Farroupilha realiza uma ampla pesquisa para mapear as tendências de consumo para o ano seguinte. As peculiaridades regionais são levadas em conta não só na hora de desenvolver as estratégias de comunicação para o mercado gaúcho, mas também de definir o mix de produtos de cada loja. Os consumidores da serra gaúcha, por exemplo, tendem a comprar mais produtos de ginástica e fitness – consequência direta do hábito de se exercitar em casa, a salvo do frio. “Além disso, aqui na serra e no interior em geral, as lojas precisam oferecer produtos como o fogão a lenha. As pessoas têm um costume de chegar mais cedo em casa e isso faz a diferença”, compara Thiago Baisch, diretor de vendas e marketing da Colombo. “Já na capital e na região metropolitana o padrão é bem diferente. Não vendemos tanto fogão, mas em compensação saem muito mais splits”, diz ele.
Campeões do crédito
Conforme a pesquisa realizada por DCS e Segmento, os contrastes de cada região do Estado também dizem respeito a fatores mais mundanos – como a forma de comprar roupas, as preferências artísticas e até o uso do computador. Os moradores de Caxias do Sul, por exemplo, identificam-se muito com a palavra “prosperidade” e consideram a poupança um hábito quase sagrado. Essa tendência, aliás, reforça as características observadas pelo Banrisul. Conforme Jone Pfeiff, diretor comercial do banco, as cidades que mais tomam crédito estão longe da serra gaúcha – concentram-se na metade sul e na região central do Estado, especialmente em Santa Maria. “Entre as regiões, a metade sul costumava ser, no passado, a maior tomadora de crédito. Mas, devido ao desenvolvimento da região com a vinda do polo naval, ela está perdendo esse posto”, explica Pfeiff.
Os “gastadores” ficam na região noroeste. Nas cidades de Passo Fundo e Erechim, por exemplo, aparecem os maiores índices de gaúchos que realizaram grandes viagens no ano passado – nada menos que 66% do total. A região também se destaca por abrigar consumidores altamente dispostos a pagar caro por roupas e acessórios da moda. E as diferenças não param aí. Conforme Baisch, da Lojas Colombo, Passo Fundo está entre as cidades que mais consomem lavadoras de roupa. Bem diferente de Porto Alegre, onde a demanda por lavadoras rivaliza com a de secadoras – já que o espaço para o bom e velho varal é mais restrito. Finalmente, o noroeste também ostenta o maior índice de gaúchos que afirmam saber usar o computador (20%) – uma consequência direta do atual ciclo de desenvolvimento da região, que está deixando de ser essencialmente agrícola graças à emergência de grandes indústrias dos setores alimentício e do agronegócio.
Enquanto isso, na metade sul, o atual boom econômico desencadeado pelo polo naval gera um padrão de consumo distinto. Boa parte da população local está começando a se habituar à pujança e, por isso, nem sempre apresenta a mesma sofisticação do pessoal do noroeste. Muitos trabalhadores e operários – vindos inclusive de fora do Rio Grande do Sul – acabaram de chegar à região em busca de oportunidades de emprego. Na prática, é como se Pelotas, Rio Grande, Dom Pedrito e Santana do Livramento, entre outros municípios da região, aglutinassem o que se convencionou chamar de “nova classe C”. Isto é: um mercado grandioso, com alto potencial de crescimento, mas que ainda está em fase de amadurecimento. Traço ainda visível disso é a falta de familiaridade com meios de pagamento mais avançados – como o cartão de crédito. Em algumas cidades do interior, ainda é possível encontrar lojas cujas vendas a prazo são realizadas com o tradicionalíssimo carnê. “Sei de algumas varejistas que tentaram impor apenas a opção do dinheiro de plástico, mas tiveram de voltar atrás”, conta Hermes Ghidini, consultor de marketing especializado em varejo.
Sem estereotipar
É claro que essas e outras características não são definitivas. São tendências ou, no máximo, traços de comportamento mapeados por algumas empresas e agências de pesquisa. Não estão sequer livres de contradições. É errado pensar, por exemplo, que a metade sul seja um reduto exclusivo de consumo popular. Há, sim, consumidores altamente sofisticados por lá. Historicamente, a região tem se posicionado como um verdadeiro dínamo de produções culturais e intelectuais do Estado, além de ostentar o maior percentual (62%) de gaúchos que afirmam gostar de estudar. O mesmo se pode dizer do centro do Rio Grande do Sul, fortemente influenciado por universidades e pela circulação de jovens vindos de diversas partes – inclusive de fora do Brasil. Cerca de 41% dos moradores de Santa Maria alegam apreciar pinturas, por exemplo. Outros 27% gostam de arquitetura. “A densidade de universidades em Santa Maria e arredores estimula essa procura pela intelectualidade”, analisa Antonio D’Alessandro, da DCS. Além da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pelo menos outras cinco instituições de ensino superior atuam na região.
Porto Alegre e região metropolitana compreendem a área mais cosmopolita do Rio Grande do Sul. O consumidor da capital preserva alguns traços do interior, como a tendência ao conservadorismo e o alto grau de exigência em relação à qualidade de produtos e serviços. Mas nem por isso deixa de experimentar novidades. ”Produtos novos sempre ‘pegam’ primeiro nessas regiões. Isotônicos, hidrotônicos e chás, por exemplo, são consumidos com mais rapidez e facilidade na capital e na região metropolitana, antes de deslancharem em outras partes do Estado”, conta Luiz Fernando Mattos, diretor de marketing da Vonpar, empresa que representa a Coca-Cola no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Segundo Mattos, os consumidores do interior se apegam mais a produtos consagrados.
Para alguns profissionais de marketing, incorporar esses diferentes sotaques às estratégias de construção de marca é um passo essencial na busca de empatia com diferentes públicos. “É extremamente relevante planejar tendo em mente as semelhanças e particularidades de cada região, como características demográficas, poder de compra, cultura, uso e penetração de tecnologia”, argumenta Daniel Prestes, planejador estratégico da 180Amsterdam – agência de publicidade com sede na Holanda, cujo portfólio inclui grifes como Adidas e Motorola. Mas, atenção: é preciso saber dosar as adaptações – de tal forma que a identidade da marca não seja arruinada. “A tentativa de aproximação não pode expor a população ao ridículo e ao caricato”, defende João Satt, diretor-presidente do Grupo Competence. Uma campanha publicitária em Uruguaiana, exemplifica ele, não precisa ter sempre a figura de um gaúcho com bombachas. “As marcas, inclusive as regionais, têm de ser as mesmas em todos os mercados.”
Um caso bem-sucedido é o da rede de supermercados Walmart. Embora conte com táticas de venda específicas para cada mercado em que atua ao redor do mundo, a empresa não ousa passar de um certo limite. Eliane Ramos Moraes Santos, gerente de marketing do Walmart para a região sul, garante: ninguém jamais verá peças publicitárias da empresa com interjeições tipicamente gaúchas como “Bah”, “Tri” ou “Tchê”. “Preferimos não utilizar, até para não parecer forçado”, diz ela. Em compensação, a companhia faz questão de reconhecer feriados e festividades importantes para o imaginário do consumidor gaúcho, tais como a Semana Farroupilha. “O que conta é ter à disposição produtos regionais, como a erva-mate, a cuca e outros. Mas são ações nas lojas, e não necessariamente mudanças de linguagem”, explica Eliane. Certo ou errado, o fato é que as duas principais bandeiras do Walmart no Rio Grande do Sul – Nacional e Big – vêm se revezando há anos no topo do ranking das marcas mais lembradas pelos gaúchos na categoria Supermercado do Top of Mind.
Mas há empresas, especialmente as de abrangência regional, que conseguem incorporar melhor os sotaques locais. A AES Sul, por exemplo, adota uma política de comunicação flexível, que varia sutilmente de um mercado para outro. Recentemente, a concessionária de energia lançou uma campanha que retratava hábitos típicos das três regiões em que atua no Rio Grande do Sul – a fronteira, o centro-oeste e a região metropolitana de Porto Alegre. Entre outras peças, a campanha contou com quatro VTs, um para cada área de influência da AES Sul. “A comunicação mais próxima da realidade do consumidor é compreendida e aceita de maneira melhor. Desde o inicio da nossa trajetória, buscamos contemplar estas características”, conta Antônio Carlos de Oliveira, diretor-geral da empresa.
A regionalização não fica só no discurso. Na prática, a AES Sul também conta com padrões de atendimento específicos para cada região do Estado. Entre outubro e março, por exemplo, a fronteira apresenta picos de consumo de energia em função da colheita da soja. Nesse período, a AES Sul disponibiliza dez equipes de força-tarefa, que ficam a postos para prestar assistência técnica em caso de quedas no abastecimento à região. A companhia estimula, ainda, os agricultores a trocar equipamentos antigos – que consomem grandes quantidades de energia – por similares mais modernos e econômicos.
Exemplos como o da AES Sul são importantes para quem quer evitar exageros e deslizes. De nada adianta criar uma expectativa no consumidor e não ser capaz de cumpri-la. Da mesma forma, é inútil apostar em linhas de comunicação específicas para cada região e, no dia a dia, tratar os clientes como se fossem um só. “A propaganda ‘fala para’. Já os exemplos ‘falam com’. É necessário ter um olho na propaganda e outro na presença física nas comunidades”, explica Dado Schneider, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) em Porto Alegre. Ele lembra que muitas marcas já tentaram imitar os sotaques gaúchos e nem por isso se tornaram relevantes no Estado. O ideal, diz ele, não é apostar na ausência ou no excesso de gauchismo, e sim saber valorizar aquilo que é importante para a comunidade. “Se a quermesse é o grande evento da cidade pequena do interior, então vamos patrociná-lo – ou pelo menos tentar participar dele”, ilustra Schneider.
Presença é fundamental
O contato direto com a comunidade é tão essencial quanto a publicidade na consolidação de uma marca. É no ponto de venda que o consumidor tem a chance de avaliar se a empresa cumpre o que diz. Daí a importância de os funcionários da linha de frente terem uma postura condizente com aquilo que a companhia promete. No Sicredi, as agências seguem uma cartilha única de procedimentos para determinar o limite de crédito de seus clientes. Essa cartilha, porém, permite que se façam pequenas adaptações – respeitando, assim, o perfil e os hábitos de consumo de cada região. Para assegurar que as unidades da cooperativa tomem sempre a melhor decisão, a cooperativa também conta com uma área de pesquisa e inteligência de mercado que ajuda a desvendar como os gaúchos lidam com o dinheiro. “Dependendo da regional, há uma estratégia totalmente diferente para conceder crédito e atrair novos cooperados. Tudo depende desses aspectos comportamentais”, assegura Ivan Novello, gerente de comunicação da Central Sicredi Sul.
Estratégia semelhante é adotada pela Pompéia. Com 58 lojas em todo o Rio Grande do Sul, a rede varejista adota uma única linguagem em suas ações de comunicação. Entretanto, estimula seus funcionários a atender de acordo com os costumes e até dialetos locais. Em Santa Cruz do Sul, reduto de descendentes da imigração alemã, é comum os clientes serem recebidos com um sonoro “willkommen”. Em São Lourenço do Sul, alguns atendentes são fluentes em pomerano, um dialeto ainda presente entre os descendentes de poloneses e alemães. Os supervisores de cada região também são responsáveis por elencar as datas importantes da comunidade e, muitas vezes, escolhem os veículos de comunicação para divulgar anúncios, spots ou VTs de abrangência regional. “Esse olhar local é muito importante no nosso modo de gerenciar”, garante Carmem Ferrão, superintendente de marketing e vendas das Lojas Pompéia.
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Meu filho, voce não merece nada
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.
Postado por Henrique da Silva às 22:37 0 comentários




