terça-feira, 13 de outubro de 2009

Será que o mercado está pronto para o Kindle?


Como se sabe, o leitor eletrônico Kindle, da Amazon, começará a ser distribuído no Brasil semana que vem, assim como em outros cem países. É um grande passo para a Humanidade, pois detona de vez a batalha pelos milhões de consumidores de livros, revistas, jornais etc etc. Sinal de que, como diriam os estrategistas do setor, finalmente o mercado está maduro para esse produto. O termômetro, claro, é o consumo. A Amazon vende 48 livros digitais para cada cem livros "reais". Já foi bem menos, e a tendência é que essa distância fique cada vez menor. A Amazon tem colaborado com isso, puxando para baixo o preço dos seus aparelhos, derrubando também os preços dos concorrentes. Mais uma vez, tende a levar vantagem o fornecedor que atacar em massa - seja fornecendo o hardware, seja fornecendo o software. Por sinal, os livros estão deixando de ser aquele híbrido de hardware & software, e vão se tornando puro software. O que interessa é o conteúdo, por mais que tenhamos uma relação fetichista com o objeto-livro. (Mas continua a velha máxima: hardware é aquilo que você chuta; software é aquilo que você xinga). Não por acaso, os concorrentes da Amazon, nesse nicho, começaram a mostrar suas armas. A tradicional rede americana de livrarias Barnes & Noble, por exemplo, resolveu se mexer. Vai lançar ainda este mês, nos EUA, a sua versão de leitor eletrônico. O novo aparelho deverá ter uma interessante inovação: os clientes poderão trocar, entre si, cópias digitais dos livros que comprarem. É uma estratégia interessante. Segundo o blog Bits, o aparelho também contará com acesso wi-fi - uma vantagem sobre o Kindle, que só aceita 3G. Ainda não há maiores detalhes sobre o aparelho da B&N, mas quem viver verá. O consumidor e a indústria só têm a ganhar quando existe concorrência. E vem mais por aí. Taxas de importação prejudicam entrada do produto no país A velocidade da tecnologia frequentemente esbarra na lerdeza das leis. No caso do Kindle, temos uma questão curiosa. O leitor eletrônico custa US$ 279. Mas vamos pagar outros US$ 285 pela importação legal do aparelho. É um baita incentivo à importação ilegal, digamos assim. É uma história que se repete.
Ora, se o futuro está na tecnologia digital, dificultar o acesso a aparelhos eletrônicos é algo, no mínimo, anacrônico. E ainda bem que a venda é direta. Se tivéssemos que envolver importadores ou distribuidores no negócio, o Kindle sairia por uns R$ 1.600, no mínimo. Esse tipo de desvio, tão ao gosto do mercado brasileiro, acontece muito com as câmeras digitais. Por conta de impostos, o preço final de alguns modelos contém até 60% em impostos brasileiros, segundo me disseram alguns fabricantes durante a feira PhotoImage, em São Paulo, mês passado. Assim fica difícil ser feliz.

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